O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), demitiu ontem o secretário de Comunicação, jornalista Deonilson Roldo, que estava no cargo desde que deixou a secretaria estadual de Comunicação, ao final do segundo mandato do ex-governador Jaime Lerner (PSB). No início da noite, a presidente da Urbs, Yara Eisenbach, apresentou seu pedido de demissão, que foi aceito pelo prefeito.

O substituto de Deonilson será o publicitário Sérgio Reis. A assessoria do prefeito negou que Reis estivesse coordenando a organização da campanha do vereador Osmar Bertoldi (PFL) à prefeitura da capital. A saída de Roldo foi, até ontem, pelo menos, o desdobramento mais visível da confusão gerada pelo reajuste das passagens do transporte coletivo municipal, em que Yara Eisenbach foi uma das principais envolvidas.

Durante a tarde, a versão era que o prefeito estava preparando uma reforma bem mais ampla do que a simples troca do secretário de Comunicação. Na lista dos possíveis demitidos estavam ainda os secretários de Abastecimento, Ubirajara Schreiber; Educação, Paulo Afonso Schmidt; de Obras, Nelson Leal Júnior e de Saúde, Michelle Caputo Neto.

Numa rápida entrevista, Cassio disse que havia tido uma conversa “pessoal” com seu secretário de Comunicação e que os dois haviam chegado à conclusão de que era melhor Roldo deixar o cargo. Sobre a presidente da Urbs, pivô da crise das passagens, o prefeito disse que não iria anunciar seu substituto pela imprensa.

Bastidores

Foram várias as interpretações da intenção de Cassio ao trocar um secretário e deixar no ar a ameaça de mudança em outras áreas. Uma delas é que o prefeito está tentando desviar as atenções do mal-estar que causou ao autorizar o aumento da tarifa de ônibus de R$ 1,65 para R$ 1,90, posteriormente suspenso por seu vice, Beto Richa (PSDB), que o substituiu durante sua viagem à Europa.

Mas uma outra corrente viu nos movimentos do prefeito uma tentativa de esvaziar o grupo pró-candidatura de Beto Richa à sua sucessão.

Alguns dos auxiliares com a cabeça a prêmio são filiados ao PSB, sigla que hoje estaria mais propensa a fechar apoio à candidatura do tucano do que se aliar a Cassio na defesa do projeto de fazer o vereador Osmar Bertoldi o candidato oficial da situação. A leitura que alguns setores fazem é que se o prefeito levar adiante a reforma, estará fazendo uma clara opção por seu correligionário.

Há ainda observadores atentos que vêem uma manobra para garantir o lançamento do maior número possível de candidaturas, fragmentando assim o processo de escolha e reforçando a possibilidade de realização de um segundo turno com os adversários do PT e PMDB. Nesta estratégia, Beto Richa sairia desvinculado de Cassio e Bertoldi iria para o sacrifício, encarnando o candidato oficial e atraindo para si os eventuais desgastes da administração pefelista.

De qualquer maneira, o caso não parece estar encerrado: a expectativa é que o prefeito anuncie novas mudanças hoje na equipe.