O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta quinta-feira que há um ponto fundamental de consenso entre os partidos da base aliada do governo de que a reforma política deve ser feita por meio de plebiscito, mas reconheceu haver divergências entre as siglas quanto ao melhor momento para a convocação da consulta. O comentário foi feito a jornalistas, após reunião no Palácio do Jaburu, em Brasília, com o vice-presidente Michel Temer e líderes de partidos da base aliada na Câmara.

“Houve o consenso, mais uma vez, de que o povo tem de ser consultado para a reforma política e essa consulta deve ser feita através do plebiscito. Essa é uma posição unânime dos partidos da base”, disse Cardozo.

“Há uma avaliação de que tecnicamente seria muito difícil fazer agora o plebiscito, mas há a discussão entre partidos sobre o momento da convocação. A maior parte dos partidos acha que o momento dessa convocação deveria coincidir com a realização das eleições, outros acham que devia ser antes, ainda há algumas questões a acertar e ser harmonizadas. É muito importante que se frise a união da base governista em relação à necessidade da consulta popular em forma de plebiscito”, afirmou.

Questionado se não foi um equívoco do governo propor inicialmente uma assembleia constituinte específica, depois optar por um plebiscito e agora admitir que não será possível implantar as mudanças no sistema político a tempo das próximas eleições, o ministro respondeu: “Não se pode falar em equívoco quando a presidente coloca uma questão pra sociedade, os partidos da base seguem unidos na linha de que o povo deve ser consultado, ou seja, nesse ponto a sociedade brasileira sairá vitoriosa. Teremos um novo modelo de sistema político, e um novo modelo em que a população participa ativamente, a população vai dizer como quer que a sua vontade seja representada no futuro. Esse é um ganho fantástico para a história nacional.”

O ministro afirmou que vê com “estranheza” o fato de a oposição não perceber que o povo “quer uma reforma no sistema político brasileiro. “Não devem estar ouvindo bem as ruas. As pesquisas mostram que 70% da população é favorável ao plebiscito. Será que a oposição não percebeu que a população quer uma mudança no sistema político brasileiro? Paciência, nós percebemos!”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de o Congresso Nacional incluir outros temas no plebiscito de reforma política, Cardozo respondeu: “O Congresso é soberano, o Congresso decide aquilo que se coloca. O que a presidente fez foi uma mera sugestão daqueles temas que entendemos ser estruturantes, nevrálgicos. O que o Congresso decidir será acatado.”