O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, criticou nesta quinta-feira a antecipação do debate eleitoral. “A gente vai ver que não foi boa essa precipitação, a gente fica só no jogo eleitoral, quando é fundamental garantir o equilíbrio das contas públicas e evitar um processo inflacionário”, afirmou para uma plateia de deputados estaduais do País durante debate na 17.ª Conferência da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), no Teatro Guararapes, no Recife.

“Temos coisas muito sérias a serem cuidadas neste ano”, afirmou, ao observar que a inflação não pode ser contida apenas com aumento de taxa de juros – “esta é uma visão atrasada” -, mas com mais produção e controle das contas públicas. Campos afirmou não se tratar de “um jogo de botar defeito no governo” e defendeu que todos devem sugerir e contribuir. “É preciso ter a coragem de apoiar o que está certo, não só os da base do governo, mas também a oposição, que deve ser chamada para o debate nacional.”

Ele observou que sem isso, há o risco de que “aos vencedores podem sobrar as batatas-quentes”. De acordo com Campos, a campanha presidencial de 2010 foi “débil”. “O debate político foi muito aquém dos participantes”, afirmou, ao reforçar a necessidade de uma discussão aprofundada sobre o momento nacional e os desafios, entre eles a manutenção da estabilidade econômica e a busca de investimentos. “O debate não deve ser interditado, deve ser feito, não tem nada a ver com o debate eleitoral”, afirmou. “Este (o debate eleitoral) é inexorável e com debate ou não vai ter eleição”, afirmou.

Práticas

Na palestra sobre pacto federativo, que durou uma hora e dez minutos, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB usou boa parte do tempo para fazer publicidade da gestão do governo do Estado e pregou a revisão das práticas políticas, que considerou “mofadas, carcomidas, patrimonialistas e fisiológicas”.

Campos assegurou que “essa velha política será vencida pelos fatos, vai ser ultrapassada pela força da sociedade e o desejo de caminhar do povo que venceu, em outros momentos, o autoritarismo, a bagunça inflacionária, a cegueira diante da exclusão social”. Também destacou a necessidade de controle social dos governos, por meio de instrumentos como o portal da transparência e auditorias. “Se deixar a máquina pública à vontade, ela só mói para o lado dos graúdos”, advertiu.

Ao declarar que existe “projeto de poder e projeto de País”, disse que lhe “encanta um projeto de País”. “Só vale a pena estar na política, ser político, ter mandato, se valer para o povo”, afirmou. “Não vale a pena mandato pelo mandato, se não contribuir para que o País seja mais generoso com seus filhos no futuro.”

Foi aplaudido várias vezes durante o discurso e depois debateu com a plateia. O ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) usou o microfone para apoiar a candidatura do socialista à presidência, sem contagiar os presentes. Participam da conferência 272 deputados estaduais e 20 presidentes de Assembleias Legislativas. O evento foi favorável à campanha não assumida que o governador tem articulado visando a uma candidatura presidencial. Pela manhã, Campos recebeu, no gabinete, bancadas estaduais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.