Deputados e senadores estão descrentes de que haverá grandes revelações no depoimento de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, na CPI mista que apura a ligação do empresário com políticos e outros agentes, conforme foi revelado pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O depoimento de Cachoeira deve começar às 14h. Os parlamentares, entretanto, acreditam que Cachoeira deverá optar pelo silêncio, mesmo se for provocado, seguindo recomendação de advogados.

Integrantes da base aliada e da oposição pretendem aproveitar ao máximo o tempo disponível para fazer perguntas a Cachoeira, com o objetivo de expor suas relações com agentes públicos e com o setor privado. Os aliados devem centrar seus questionamentos na relação do contraventor com o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e a relação com a empreiteira Delta na região Centro-Oeste, por meio do ex-diretor Cláudio Abreu.

A oposição, por sua vez, quer nacionalizar o depoimento, para tirar o foco de Perillo e Demóstenes. Por isso, tentará explorar a relação de Cachoeira com o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish e com os governos de Brasília, do petista Agnelo Queiroz, e do Rio de Janeiro, do peemedebista Sérgio Cabral. “Não esperamos muito do depoimento”, admitiu o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), para quem o contraventor não produzirá prova contra si.

Por essa razão, as perguntas dos parlamentares a Cachoeira serão mais retóricas do que efetivamente para serem respondidas. Não esperam, assim como foi o depoimento dele à CPI dos Bingos, revelações como acertos financeiros de autoridades públicas.

A despeito disso, o aparato policial para o depoimento dele está praticamente pronto. A escolta de Cachoeira do complexo penitenciário da Papuda ao Congresso foi um evento cinematográfico, com direito a helicóptero acompanhando o trajeto de 25 quilômetros percorrido pelo comboio de viaturas policiais. Ele já está no Senado, em uma sala reservada, distante da imprensa e dos curiosos.

No Senado, a sala e o corredor onde serão realizados o depoimento estão com acesso controlado pela Polícia Legislativa. Apenas servidores identificados e jornalistas com credenciais especiais serão liberados para acompanhar o depoimento, para não superlotar a sala.