Quase um mês de investigação sem resultado levou a Polícia Federal a buscar ajuda de um dos envolvidos na trama do dossiê Vedoin. A PF acredita que Gedimar Passos, advogado, ex-agente da corporação por quase 30 anos, pode indicar pistas da origem da bolada que o PT amealhou para comprar o dossiê.

Gedimar foi capturado na madrugada de 15 de setembro, num hotel em São Paulo, de posse de R$ 1, 16 milhão e US$ 248, 8 mil – R$ 1,75 milhão no total. Com ele, estava Valdebran Padilha, arrecadador do PT em Mato Grosso, que delatou Hamilton Lacerda – então coordenador de campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista – como o homem que levou o dinheiro ao hotel.

O ex-agente confessou seu envolvimento no golpe. Disse que se deslocou até São Paulo a mando da Executiva Nacional do PT, a quem prestava consultoria. Caberia a ele examinar a documentação com a qual o partido tentaria pôr José Serra (PSDB) no rol dos sanguessugas.

Depois disso, ele adotou o silêncio como estratégia. Recusou-se a fazer novos depoimentos e retornou a Brasília, onde mora. Nos últimos dias, emissários da PF estão tentando convencer Gedimar a colaborar com a apuração.

A sondagem é discreta e informal. Antigos colegas de Gedimar, que com ele trabalharam na PF, foram escalados para tentar convencê-lo a cooperar. A PF está convencida de que os protagonistas da farsa tiveram papéis distintos e possivelmente um grupo desconhecia a missão do outro. Essa tática é usada comumente para dificultar a investigação. Os federais acreditam que Gedimar sabe de onde saiu o dinheiro do PT.