São Paulo (AE) – Diante de seu pior público em 2005 ? apenas 6.158 pagantes ? o Corinthians protagonizou seu jogo mais feio e desinteressado do ano. Contra o River Plate, no Morumbi, pela Copa Sul-Americana, o empate por 0 a 0 serviu de nota para tanta falta de vontade e ruindade apresentada por brasileiros e argentinos. O espetáculo, se é que pode ser definido assim, nem de longe honrou a tradição do duelo entre os maiores rivais do continente.

Priorizando o Brasileirão, no qual enfrenta o Figueirense, fora de casa, no domingo, o técnico Márcio Bittencourt preferiu escalar só reservas. Suas caretas no banco de reservas refletiram bem o que viu. Dinelson e Hugo sem inspiração, Coelho andando na direita e Bobô, na frente, tropeçando na bola ? mais uma vez deixou o campo bastante xingado.

Para comemorar, só o ‘renascimento’ de Carlos Alberto. O gol marcado diante do Atlético-PR, no domingo, denominado por ele de "xô inhaca", parece ter trazido a confiança de volta. Buscando reconquistar a vaga de titular, o meia começa a reencontrar seu melhor futebol.

Nesta quarta, ele foi o responsável pelas melhores, e bem poucas, jogadas do Corinthians. Logo no primeiro minuto, tirou o grito de "uhhh" da torcida ao desviar, raspando, cruzamento de Bobô. O camisa 19 estava abusado. Deu elástico, dribles ousados, colocou uma bola entre as pernas de Patiño e arriscou bom chute de longa distância. O goleiro Lux espalmou.

Carlos Alberto, às vezes, também abusou do individualismo. Buscava mostrar personalidade. Até agradou. Tanto que, ao contrário de jogos anteriores, quando era vaiado ao errar, desta vez foi aplaudido pelo espírito de luta e a boa intenção.

Para um time com a grandeza do Corinthians, entretanto, é muito pouco depender de apenas um jogador. E se busca tornar-se um clube conhecido internacionalmente, nada melhor que começar a brilhar em competições no continente, como a Copa Sul-Americana. Mas este não parece ser o pensamento no clube. Na verdade, a conquista do Brasileirão é a grande obsessão. Desprezou o torneio, e quase saiu derrotado, em boa chance de Farias.

"O importante é que não tomamos gols", disse Roger, que entrou no fim. "Não podíamos correr riscos, pois temos jogo importantíssimo no domingo", amenizou Márcio. A decisão será no dia 28, no Monumental de Nuñez. O Corinthians joga por empate com gols. O empate sem gols leva aos pênaltis e quem ganhar avança.


FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 0 X 0 RIVER PLATE

CORINTHIANS – Marcelo; Wescley, Sebá e Marcus Vinícius (Betão); Coelho, Bruno Octávio, Hugo, Dinelson (Roger) e Rosinei (Eduardo); Carlos Alberto e Bobô. Técnico: Márcio Bittencourt.

RIVER PLATE – Lux; Alvarez, Talamonti, Fernandez e Mareque; San Martín, Patiño (Ahumada), Santana e Gallardo (Sambueta); Farias e Oberman (Galvan). Técnico: Reinaldo Merlo.