O delegado Sérgio Sirino, do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), ouviu no Rio Grande do Sul o depoimento do argentino Carlos Zicavo, ex-sócio do Totobola, e de Geraldo Carvalho, ex-gerente do Totobola no Brasil. Os dois reafirmaram a possibilidade de fraude nos resultados do jogo Totobola e as denúncias contra Mário Alberto Charles, atual dono do jogo. Segundo o delegado Sirino, a polícia tem agora uma pista para descobrir o destino dos R$ 150 milhões arrecadados com o Totobola em todo o Brasil.

Segundo os depoentes, o dinheiro teria saído do estado gaúcho e estaria aplicado em ações na Bolsa de Valores de Nova York. “Como evasão de divisas é um crime federal, a investigação dessa denúncia é de responsabilidade das instituições judiciais da União. Mas a declaração mostra como o esquema é complexo”, disse o delegado. O Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul está investigando as remessas de dinheiro ao exterior.

Os ex-funcionários da loteria explicaram ainda como funcionava o esquema de sonegação de impostos por parte do Totobola. De acordo com as denúncias, Mário Alberto Charles criou várias empresas para gerir o negócio. Todo o dinheiro conseguido com a venda de cartelas e prêmios da loteria poderia ser repartido entre estas empresas que funcionavam como “laranjas”. Desta maneira, Charles poderia se beneficiar da Lei do Lucro Presumido, escapando de pagar os impostos, que se acumulariam se mantivesse apenas uma empresa. “Isto mostra como o crime econômico está sofisticado”, completou Sirino.

Os ex-participantes do esquema Totobola trouxeram também outros nomes para serem investigados. Segundo os depoimentos, os principais envolvidos com a suposta fraude no Paraná seriam, além do atual dono do Totobola, o advogado da empresa e a namorada de Mário Alberto Charles, Silvana de Lucca, que estaria na Argentina.

Intercâmbio

A polícia do Rio Grande do Sul acompanhou o trabalho do delegado paranaense em Porto Alegre e aproveitou as informações repassadas durante os depoimentos para fazer uma perícia no sistema de sorteios do Totobola daquele Estado. Os técnicos do Instituto Geral de Perícias de Porto Alegre promoveram um sorteio com a presença da imprensa gaúcha. Cada repórter ganhou uma cartela para participar da simulação. Ao fim do sorteio, todos os jornalistas “apostadores” ganharam. “O sorteio comprovou que, assim como no Paraná, no Rio Grande do Sul o resultado do Totobola pode ser fraudado”, disse o delegado Sirino.

O próximo passo das investigações do caso no Paraná são os depoimentos de uma assessora jurídica do Sistema de Loteria Estadual de Minas Gerais, que teria provas das irregularidades do Totobola mineiro e também de um homem, que seria o responsável por comprar nas lotéricas as cartelas que seriam premiadas.