Foto: Allan Costa Pinto

Pacientes sofrem na fila.

Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que trabalham no Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, reuniram-se em uma assembléia no restaurante universitário da instituição na manhã de ontem, e decidiram continuar com a greve, iniciada dia 28 de maio.

A decisão é contrária a uma liminar da Justiça Federal, dada na última quarta-feira pela juíza Giovanna Mayer, que atendeu um pedido do Ministério Público Federal (MPF) para a volta da categoria ao trabalho. Os servidores têm um prazo de 12h após o recebimento da intimação para retomar o trabalho.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral (Sinditest), José Carlos Assunção Belotto, recebeu ontem a liminar e acrescentou que o sindicato irá recorrer da decisão. ?A ordem fere o direito constitucional da categoria à greve. Além disso, entendemos que já estamos cumprindo a decisão, pois as pessoas estão sendo atendidas no HC?.

Uma nova assembléia será realizada hoje pela manhã para decidir o futuro do movimento. Belotto afirmou novamente que, ao contrário do que estaria sendo divulgado pela diretoria do HC, a paralisação não tem afetado os pacientes da instituição. ?As filas podem estar um pouco mais demoradas, mas o problema já existia antes da greve?, afirma. Segundo o sindicalista, nas áreas de emergência estão sendo mantidas praticamente 100% do atendimento. A assessoria de imprensa da UFPR, porém, não confirma a informação.

Os grevistas também enviaram ao gabinete da Reitoria da UFPR um pedido para que o conselho universitário da instituição colocasse a greve em discussão e a pautasse para os próximos dias. Os servidores protestam contra medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à Emenda 3 e pedem melhores condições de trabalho.

Filas

Alheios à queda-de-braço entre grevistas e instituição, os usuários do HC enfrentaram ontem grandes filas para conseguir atendimento. ?Não sei se a greve realmente influencia alguma coisa, já que fila e demora são comuns aqui no hospital?, reclama Rosi Jess, que acompanhava a cadeirante Terence Donnel para uma consulta. ?Estava marcado para sermos atendidos ao meio-dia, mas só conseguimos depois das 16h?, protesta.

Já a dona-de-casa Gilmara Santos esperou durante duas horas para conseguir marcar uma consulta. ?Greve? Nem sabia disso. E hoje até achei que fui atendida rápido?, diz.