Foto: Marcos Albuquerque

 Após a liberação do tráfego, o trânsito ficou intenso na ponte.

As lideranças municipais e sindicais de Guaíra, Terra Roxa, Marechal Cândido Rondon e Mercedes vão tentar resolver na justiça o problema das rodovias que cortam a região. As BRs 163 e 272 estão intransitáveis, gerando uma série de prejuízo às cidades. Na próxima semana, representantes das cidades devem entrar com uma ação na Justiça Federal, em Umuarama, contra o Ministério dos Transportes. Pedem também tutela antecipada para que as obras de recuperação comecem emergencialmente. Ontem, pela segunda vez, fecharam a ponte Ayrton Senna, que liga Guaíra a Mundo Novo (MS), para chamar a atenção das autoridades para o problema.

Segundo o prefeito de Guaíra, Fabian Perci Vendruscolo, desde o começo do ano os prefeitos e a comunidade estão tentando sensibilizar os governos estadual e federal para a recuperação das rodovias, mas até agora tiveram sempre a mesma resposta. Nenhum dos dois reconhece a responsabilidade pelas vias.

Durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, algumas estradas foram estadualizadas por meio de uma medida provisória. Mas como ela não virou lei, os executivos estaduais afirmam que a medida não tem validade. Enquanto o impasse continua, as rodovias ficam abandonadas.

Diante dos prejuízos que as estradas estão causando aos moradores da região, o Movimento Pró-reconstrução das BRs 163 e 272 (Guaíra/Umuarama) vai buscar uma solução para o problema na Justiça. ?Já tentamos resolver politicamente, já fizemos duas paralisações e nada deu certo. Agora vamos apelar para justiça?, explica o prefeito. Fabian espera que o Judiciário conceda liminar obrigando o governo federal a começar os reparos emergencialmente, mas afirma que as estradas precisam mesmo é ser reconstruídas. ?Por muito tempo ficaram sem investimento?, analisa.

Fabian enumera uma série de problemas causados pela estrada que virou uma seqüência de buracos. Os moradores da região acumulam prejuízos com os veículos que vivem furando pneu. Os universitários têm dificuldade para chegar até as faculdades e as prefeituras têm uma série de gastos extras com o transporte escolar dos estudantes. ?Mas as rodovias não servem apenas à região, elas também são a principal ligação do Sul do País com a região Centro-Oeste. Por ali passam vários caminhões todos os dias?, lembra.

O protesto feito ontem pelos líderes municipais, sindicais e comerciantes da região começou às 7h e se estendeu até cerca de 15h. Eles interditaram a ponte Ayrton Senna, mas não chegou a formar longas filas de carros e caminhões porque muita gente já sabia do protesto e resolveu desviar o caminho. O comércio na cidade de Guaíra também fechou as portas das 9h às 11h, em solidariedade. A manifestação foi pacífica, mas na reabertura da estrada um caminhoneiro foi preso pela Polícia Militar por ameaçar os manifestantes com um facão.

A reportagem de O Estado tentou entrar em contato com o Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (DNIT), mas, devido ao feriado do dia do servidor, não obteve resposta.