Novo método pedagógico da Secretaria de Educação de Londrina é baseado no diagnóstico do problema já no primeiro ano escolar. Crianças da 1.ª série do ensino fundamental que integram a rede municipal de ensino contam com uma nova metodologia de trabalho voltada aos alunos com dificuldade de aprendizado.

Trata-se de uma avaliação diagnóstica que pretende identificar, já na primeira série, os problemas de alfabetização, para que as dificuldades sejam sanadas o mais rápido possível. “A grande queixa que encontramos na rede pública é que as crianças não aprendem a ler e escrever logo no primeiro ano e chegam à 4.ª série arrastando o problema”, disse a assessora pedagógica de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação, Olinda Rosa Ribas, uma das idealizadoras do projeto de apoio pedagógico. O trabalho de avaliação com crianças do primário, que também foi formulado pela assessora pedagógica de Alfabetização da Secretaria, Rosana Marchese, é inédito na cidade. De acordo com Olinda, a avaliação diagnóstica foi aplicada no final de maio em 5.955 crianças de 77 escolas do município. Nela, os alunos participaram de entrevista pessoal, na qual o professor, por meio de metodologia desenvolvida pelas assessoras, identificou em qual etapa de alfabetização os alunos estavam. “Existem cinco etapas de alfabetização: a pré-silábica 1, pré-silábica 2, silábica, alfabética e alfabetizada, na qual a criança já lê e escreve naturalmente. O intuito foi identificar os alunos com dificuldade para implementar medidas que os ajudem a acompanhar o resto da turma”, explicou ela.

Para a aplicação dos testes, que devem ser formulados de acordo com a realidade de cada aluno, todos os professores receberam um manual. Segundo Rosana Marchese, o resultado foi positivo: dos 5.955 alunos entrevistados, 1.911 já estão alfabetizados e apenas 34 deles ainda estão na primeira etapa da alfabetização, na qual as crianças apenas desenham. “O objetivo não era só avaliar as crianças, mas também propor intervenções, pois a meta da Secretaria é de 100% de alfabetização”, disse ela. Após identificados os níveis, cada escola recebeu uma apostila, denominada “SOS”, que contém a parte teórica do método desenvolvido e propostas de exercícios a serem aplicados com as crianças em dificuldades. As assessoras destacaram que a maior preocupação da Secretaria é com crianças que, mesmo concluído o primeiro semestre de aulas, ainda estão nos níveis pré-silábico e silábico de alfabetização. Além da apostila, as escolas também são orientadas para adquirirem o livro Arca de Ninguém, da autora Mariana Caltabrano, que aborda o tema das diferenças e da aceitação do próximo com suas peculiaridades.