Na primeira etapa, a imunização atingiu mais de 95% das crianças de até 5 anos.

O Paraná deve vacinar 920 mil crianças contra a poliomielite (paralisia infantil) até o próximo sábado (23), dia da segunda etapa da Campanha Nacional de Combate à Pólio. A primeira etapa aconteceu em 14 de junho e o Estado superou a meta mínima de 95% de crianças menores de 5 anos vacinadas. A segunda etapa será lançada oficialmente no Estado amanhã, às 9h, em Ubiratã.

A cidade foi a escolhida porque o secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier, vai ianugurar o novo posto de saúde do município. Segundo Xavier, que abrirá o lançamento, a Secretaria vai disponibilizar 2 milhões de doses da vacina Sabin, contra a pólio, para 9.200 postos, das 8h às 17h.

Além das unidades de saúde, a vacinação também vai ser oferecida em locais de grande concentração como escolas, supermercados e centros comunitários. Cerca de 24.500 pessoas estarão envolvidas na campanha. A chefe do Departamento de Doenças Imunopreveníveis da Secretaria de Saúde, Mirian Marques Woiski, ressalta que é necessário levar a carteira de vacinação da criança para conferir as doses em atraso. “Mesmo quem já está com a carteirinha completa, ou a criança que não tomou a primeira dose, deve ser vacinada agora pois a segunda dose da vacina servirá como um reforço na imunização”, ressalta Mirian. A vacinação é por via oral (duas gotas), sempre duas vezes por ano e o mascote oficial é o Zé Gotinha.

Nas unidades de saúde, além da Sabin, outras vacinas de rotina estarão disponíveis. Entre elas a Tetra Valente (tríplice bacteriana contra tétano, difteria, coqueluche e contra Hemófilus), VTV (tríplice viral contra caxumba, sarampo e rubéola).

Doença

A poliomielite é causada pelo vírus poliovírus, e pode ocorrer em qualquer idade, porém a maioria dos casos são em crianças com até três anos de idade. A doença se espalha através da contaminação com fezes de pessoas portadoras do vírus. “O poliovírus penetra no organismo, principalmente através da boca, se estabelece no trato gastrointestinal, multiplica-se, daí podendo passar para o sangue, e então, é capaz de invadir o sistema nervoso central, espalhando-se e destruindo células”, explica Mirian Woiski.

A doença, em geral, atinge os membros inferiores de forma assimétrica (atinge só uma das pernas), tendo como principais características e flacidez muscular (força muscular diminuída), com sensibilidade conservada e arreflexida (ausência de reflexos nervosos) na perna atingida.

Doença erradicada

Em virtude das ações de imunização e vigilância epidemiológica desde 1980, o Brasil obteve o certificado de erradicação de transmissão autóctone do poliovírus selvagem nas Américas. Com isso o País assumiu o compromisso de manter altas as coberturas vacinais de forma homogênea (todos os municípios dos Estados devem atingir o mesmo percentual de cobertura), e uma vigilância constante. O último caso de poliomielite registrado no Brasil foi em março de 1986, na Paraíba. A meta para a erradicação global da doença é 2005.

O Paraná é destaque nesse cenário, pois está há 17 anos sem registrar nenhum caso de poliomielite. A última ocorrência da doença foi em Campo Largo, em agosto de 1986.