A dez dias do primeiro turno das Eleições 2026, as pesquisas de intenção de voto ganham espaço no debate eleitoral e podem influenciar a percepção de eleitores que ainda não definiram o voto. Mas interpretar os resultados exige mais do que observar quem aparece na frente ou a distância entre os candidatos.

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No cenário para o Governo do Paraná, os levantamentos recentes mostram uma disputa ainda dividida entre os potenciais candidatos que podem chegar ao segundo turno, mas também indicam uma possível decisão já na primeira votação. Com percentuais que variam de uma pesquisa para outra, os números representam um retrato do momento e não determinam, por si só, o resultado das urnas em 4 de outubro.

Por trás desses números estão metodologias, margens de erro, períodos de coleta e perfis de entrevistados que ajudam a explicar as diferenças entre os levantamentos. Mas, afinal, como interpretar esse cenário?

O que dizem as pesquisas mais recentes

Nesta quinta-feira (24), uma pesquisa do Instituto Neokemp* indicou Sergio Moro (PL) na liderança do cenário estimulado para o Governo do Paraná, com 48,7% das intenções de voto. Requião Filho (PDT) aparece com 25,9%, seguido por Sandro Alex (PSD), com 20,8%. Nesse tipo de levantamento, os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados.

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Também divulgada nesta quinta, a pesquisa da Quaest****** indica que Sergio Moro (PL) lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 36% das intenções de voto. Ele abre 16 pontos percentuais para Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), que estão empatados numericamente, com 20%.

Já a pesquisa do IRG Pesquisas**, divulgada nesta terça-feira (22), apresentou um cenário espontâneo em que os entrevistados não recebem uma lista de nomes. Sergio Moro aparece com 21,2% das intenções de voto, seguido por Sandro Alex (PSD), com 12,9%, e Requião Filho (PDT), com 11,4%.

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No cenário estimulado do mesmo levantamento, porém, a composição das chapas altera os percentuais. Sergio Moro (PL) e Edson Vasconcelos (PL) aparecem com 39,7%. Em seguida, a chapa de Sandro Alex (PSD) e Rafael Greca (MDB) registra 27,8%, enquanto Requião Filho (PDT) e Michele Caputo (Solidariedade) somam 21,3%.

Cenário dividido

A diferença entre as pesquisas eleitorais também apareceu em levantamentos divulgados na semana anterior. No dia 17 de setembro, a AtlasIntel*** apontou Sergio Moro (PL) com 49,1% das intenções de voto, seguido por Requião Filho (PDT), com 28,2%, e Sandro Alex (PSD), com 18,6%. O levantamento ouviu 1.794 eleitores entre os dias 11 e 16 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Já a pesquisa RealTime Big Data****, realizada entre 11 e 15 de setembro com 1.600 entrevistados, indicou Moro com 35% das intenções de voto. Sandro Alex apareceu com 27% e Requião Filho, com 22%. A margem de erro também é de dois pontos percentuais.

Os dois levantamentos foram realizados em períodos semelhantes, mas apresentam diferenças nos percentuais atribuídos aos candidatos. Também há uma mudança na ordem dos nomes que aparecem em segundo e terceiro lugares. Como as pesquisas têm metodologias e amostras próprias, os resultados não devem ser comparados apenas pelos números absolutos.

Na análise de Nilton Sainz, especialista em Data Science e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma interpretação possível dos levantamentos é que os resultados precisam ser analisados considerando a margem de erro.

“A pesquisa é uma fotografia do momento. Cada número vem com uma margem de erro, e a leitura correta é a de uma faixa, não de um ponto exato. Se um candidato aparece com 30% e a margem é de 2 pontos, por exemplo, o resultado verdadeiro provavelmente está entre 28% e 32%”, explica.

Segundo o pesquisador, uma diferença pequena entre dois candidatos não permite concluir, isoladamente, que um deles esteja efetivamente à frente. “Para falar em ‘virada’, é preciso mais do que uma oscilação isolada. Precisamos de uma mudança maior do que a margem de erro, que se repita em pesquisas seguintes e que apareça em mais de um instituto. Uma mudança que só aparece em uma pesquisa, e volta na seguinte, quase sempre é ruído”, indica.

Como funcionam e para que servem as pesquisas?

As pesquisas eleitorais são levantamentos de opinião pública que buscam mostrar a percepção do eleitorado sobre as eleições, candidatas, candidatos e consultas populares. O registro e a divulgação desses estudos seguem regras previstas na legislação eleitoral e em resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na prática, as pesquisas funcionam como um diagnóstico de determinado momento da disputa. “Uma pesquisa funciona como um exame de sangue: não é preciso tirar todo o sangue para saber como a pessoa está, basta uma amostra bem colhida. A margem de erro, de 2 a 2,8 pontos, diz o quanto essa amostra pode se afastar da realidade por puro acaso”, aponta o pesquisador.

As pesquisas podem ser realizadas presencialmente, por telefone ou pela internet. Independentemente do formato da coleta, o levantamento precisa seguir critérios metodológicos para produzir uma amostra representativa do eleitorado pesquisado.

Por isso, a seleção dos entrevistados não é feita simplesmente ao acaso. A amostra deve seguir parâmetros que representem a população da área pesquisada. Entre eles estão gênero, idade, grau de instrução e nível econômico. Esses critérios precisam ser ponderados de acordo com a composição do eleitorado da área de abrangência.

Também devem ser informados os critérios de distribuição geográfica da pesquisa e os setores censitários envolvidos. O registro detalha o número de eleitores pesquisados em cada setor e a composição da amostra final. A metodologia também deve apresentar as justificativas e ponderações utilizadas. Outro requisito é a apresentação, aos entrevistados, da lista com os nomes de todas as candidatas e de todos os candidatos cujo registro de candidatura tenha sido requerido.

Divulgação dos resultados

A partir de 1º de janeiro do ano eleitoral, toda entidade ou empresa que realizar pesquisa de opinião pública sobre eleições, candidaturas ou consultas populares para conhecimento público deve registrar o levantamento no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). O registro precisa ser feito até cinco dias antes da divulgação.

No registro, devem constar informações como metodologia, período de realização, plano amostral, nível de confiança, margem de erro, número de entrevistas, contratante e responsável pelo pagamento. Também é obrigatório informar o profissional de Estatística responsável pelo levantamento e os cargos e a unidade da Federação a que a pesquisa se refere.

Na divulgação dos resultados, é obrigatório informar o período de realização da coleta, a margem de erro, o nível de confiança, o número de entrevistas, o instituto responsável, o contratante, quando houver, e o número de registro da pesquisa.

As pesquisas também podem ser questionadas judicialmente. O controle pela Justiça Eleitoral depende de provocação do Ministério Público Eleitoral, de partido político, federação, coligação, candidata ou candidato, dentro dos limites previstos na legislação e nas normas do TSE.

Cenário espontâneo e rejeição

Na divulgação dos resultados, é comum que as pesquisas apresentem diferentes cenários de intenção de voto. Na pesquisa espontânea, o entrevistador pergunta em quem a pessoa pretende votar sem apresentar nenhum nome. A resposta depende apenas da memória do entrevistado. Já na pesquisa estimulada, o eleitor recebe uma lista com os nomes dos candidatos.

Além da intenção de voto, as pesquisas também podem apresentar o cenário de rejeição. Segundo Nilton Sainz, esse dado tem um significado diferente na análise. Ele indica para quais candidatos parte do eleitorado já fechou as portas. “Quem responde que ‘não votaria de jeito nenhum’ em determinado candidato dificilmente será conquistado até a eleição. Quanto maior a rejeição, menor o público que o candidato ainda pode alcançar”, aponta.

Na Paraná Pesquisas******, divulgada em 17 de setembro, Requião Filho tinha a maior rejeição, com 37,8%. Na Real Time Big Data****, o candidato também aparecia com o maior índice, de 42%. Já na pesquisa do Instituto Neokemp* desta quinta-feira (24), o candidato aparecida novamente como o mais rejeitado, com 47,5%. No entanto, segundo o pesquisador, a rejeição tende a ganhar importância na análise de possíveis cenários de segundo turno.

“A rejeição limita quanto um candidato pode crescer, e explica em parte porque Requião Filho perde nos cenários de segundo turno em ambas as pesquisas, por exemplo. O caso de Sandro Alex é o oposto. Em tese isso lhe dá mais espaço para crescer, e é a razão pela qual ele aparece competitivo em cenários de segundo turno. Mas há uma ressalva: a rejeição costuma crescer à medida que o candidato fica mais conhecido, então uma rejeição baixa pode refletir também menor exposição e conhecimento por parte do eleitor”, avalia Nilton.

Mesmo diante dos diferentes cenários apresentados pelos levantamentos, o especialista ressalta que o resultado da eleição não é definido por uma única pesquisa. Para ter um parâmetro mais próximo da realidade, o eleitor deve observar o conjunto dos levantamentos, em vez de considerar apenas um número. Também é importante verificar como cada pesquisa foi realizada e quais são sua metodologia e margem de erro.

Pesquisas eleitorais citadas

* Neokemp – 1.008 entrevistados pela Neokemp nos dias 22 a 23 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Jornal O Correio do Povo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro no TSE nº PR-07451/2026. Leia no link. 

** IRG Pesquisas – 1.200 entrevistados pela IRG Pesquisas de 17 a 20 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela TV Independência Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,83 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-01172/2026. Leia no link.

*** AtlasIntel – 1.794 entrevistados no estado do Paraná do dia 11 a 16 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-02671/2026. Leia no link.

**** Real Time Big Data – 1.600 entrevistados de 11 a 15 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada por Rádio e Televisão Record S.A./Rede Record de Televisão e/ou Record TV. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-00532/2026. Leia no link.

***** Paraná Pesquisas – 1.280 entrevistados no estado do Paraná de 15 a 17 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda. e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-01022/2026. Leia no link.

****** Quaest – 804 entrevistados pela Quaest de 20 e 23 de setembro de 2026. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. O levantamento foi encomendado pela TV Paranaense e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº PR-02802/2026. Leia no link.