Foto: Lucimar do Carmo

Manifestação na Transpetro.

Mais de 800 pescadores se uniram ontem, em Paranaguá, para marcar os seis anos de dois graves acidentes envolvendo a Petrobras, que contaminaram o litoral paranaense, e lembraram que ainda não foram indenizados pelos prejuízos. Os manifestantes fecharam a Transpetro, subsidiária da empresa, por quase meio dia. Com tarrafas e redes, eles simbolizaram a atual falta de peixes.

Além dos parnanguaras, pescadores de Antonina, Guaraqueçaba e Morretes participaram do ato. De acordo com o presidente da Federação das Colônias de Pescadores do Paraná, Edemir Ferreira, o derramamento de nafta do navio Norma e o vazamento de óleo provocado pelo rompimento do duto da Petrobras, na Serra do Mar, ambos em 2001, prejudicaram a pesca em toda a baía. Ele conta que chegaram a ficar sete meses impedidos de pescar pelos órgãos ambientais.

Segundo Ferreira, até hoje é possível sentir os efeitos das contaminações. ?Falta peixe e camarão. Em 2001, em média, cada pescador com tarrafa tirava até seis quilos de camarão. Hoje não passa de 500 gramas. Com rede, tirava até 20 quilos. Hoje não chega a três?, revela. ?Os pescadores não sabem fazer outra coisa, que não pescar. Por isso, exigimos que a Petrobras cumpra as determinações judiciais. Existem 5,4 mil ações de pescadores, na Justiça, contra a empresa. Queremos ser ressarcidos pelas perdas causadas pelos dois acidentes. Queremos um acordo digno.? O representante da classe afirma que, se não houver acordo, em breve, os pescadores voltarão a fechar a Transpetro. ?E se ainda não der, iremos até a Repar, em Araucária?, ameaça.

Petrobras

Em nota encaminhada pela assessoria de imprensa, a estatal afirma que ?as chances de acordo existem, desde que delineado em parâmetros razoáveis?. No esclarecimento, a companhia explica que durante os seis meses da proibição da pesca, pagou um salário mínimo mensal a 651 pescadores, além de uma cesta mensal de alimentação e higiene.

Sobre a atual fase das negociações, a empresa diz que estuda os valores e os parâmetros para indenizar os pescadores que ajuizaram ações individuais. A empresa ofereceu, em agosto, uma proposta para pagamento a 1.557 pescadores, no valor de R$ 8 mil por pescador (considerando os dois acidentes). A proposta não foi aceita e os pescadores apresentaram como contraproposta o valor de R$ 20 mil, ainda pendente de apreciação pela companhia.