Os estados do Norte e do Nordeste já passaram pelo pior da pandemia do coronavírus e veem a ocupação dos leitos de UTI diminuírem. Com isso, já começam a planejar a retomada da economia. Bem diferente do que ocorre no Sul e no Centro-Oeste, que se preparam para os momentos mais críticos da Covid-19. Nessas regiões, não há previsão de quando se poderá fazer a reabertura econômica – e risco real de ter de voltar a fechar o comércio para tentar conter a disseminação do vírus.

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Esse cenário de preocupação foi externado pelos secretários da Fazenda do Paraná (Renê Garcia Junior) e do Mato Grosso (Rogério Gallo), em webinar com secretários de fazenda promovido pela Secretaria da Fazenda do Paraná para avaliar os impactos da pandemia nas finanças e as oportunidades de retomada para o setor público. Também participaram do evento os secretários da Fazendo do Pará, Renê Sousa Junior, e do Ceará, Fernanda Pacobahyba e o secretário executivo da secretaria de Fazenda de São Paulo, Tomas Bruginski.

“Tivemos uma paralisação açodada com a chegada da pandemia no Brasil, em meados de março. Mas a crise sanitária só chegou ao nosso estado agora em junho. Hoje, estamos com 90% das UTIs ocupadas e nossas principais cidades estão em lockdown. Não há coordenação nacional do enfrentamento da crise e, para nós, o impacto na economia deverá ser mais longo do que para os estados que já tiveram o pico da epidemia e preparam a reabertura”, avaliou o secretário mato-grossense.

O secretário da Fazenda Renê Garcia
O secretário da Fazenda Renê Garcia

“A parada também foi antecipada no Paraná. Tivemos perdas de 32% da nossa receita corrente líquida. Teve um impacto devastador e obrigou um contingenciamento praticamente do mesmo tamanho. E a crise sanitária foi extremamente leve no início, mas nós paramos. Isso gerou dessincronia entre as realidades dos entes federativos. Alguns estados com uma crise de saúde acelerada e nós, aqui, com a situação sob controle. Agora, alguns estados estão aliviando a pressão sobre a saúde e a pandemia está chegando de forma muito forte”, concordou Renê Garcia Junior. “Então, o cenário para os próximos meses preocupa, porque estamos perto de uma segunda onda de fechamento”, prosseguiu.

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No encontro virtual, os secretários foram unânimes em afirmar que a crise gerada pela pandemia obriga o brasil a rediscutir se federalismo e a coordenação de ações por parte da União. “Ficou muito claro, nesta crise, que temos que repensar o federalismo brasileiro. O país é uma federação diversa, tanto nas características econômicas, quanto na política. E é preciso ações coordenadas, tanto para a saúde, quanto para a economia”, disse Bruginski.

“Não há coordenação das ações, o fechamento, agora foi por determinação da Justiça. O SUS vai sair desta crise melhor aparelhado, mas precisará de uma rediscussão de seu desenho institucional. Quem faz o quê. A crise em saúde e, até, a econômica é reflexo sim dessa falha na coordenação sanitária”, concordou o secretário de Mato Grosso.

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“Mesmo o auxílio federal aos estados veio atrasado e é insuficiente. O adiamento da dívida não ajuda o Paraná, pois a dívida é pequena. E o volume de transferência federal é irrisório tanto para cobrir nem a queda de arrecadação, quanto para algum investimento mais robusto em saúde. A mesma dificuldade de falta de coordenação em saúde se vê, também na coordenação econômica”, comentou o secretário paranaense, que criticou, ainda, a ausência do governo federal no processo de aquisição de equipamentos pelos estado, o que, segundo ele, gerou uma competição desnecessária pelos insumos.

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