“Nunca foi como agora, nunca tivemos uma procura tão grande por ventiladores”. A avaliação do proprietário da Casa Suissa, Rui Cesar Valenza, reflete uma situação comum a praticamente todo o comércio de Curitiba: a procura por ventiladores aumentou significativamente nos últimos dias, mas o mercado já não conta mais com produtos em estoque para atender a demanda que não para de crescer.

O Paraná Online conferiu de perto a situação. Em menos de meia hora, cerca de dez clientes procuraram o produto na loja de Valenza e voltavam para casa de mãos vazias. Mas o empresário garante que graças aos fornecedores parceiros ainda consegue receber o produto com frequência e promete para hoje uma remessa com mais 200 unidades, que ele acredita que não vai durar até o começo da tarde. “Enquanto não esfriar vai chegar sempre. Até em outra voltagem os clientes estão levando, com transformador, pra conseguir garantir o ventilador”, diz ele, que calcula já ter vendido mais de mil ventiladores desde o começo do ano, situação que nunca presenciou em 30 anos no ramo.

A preferência dos consumidores é pelos modelos de mesa, que não precisam de instalação e são mais baratos que as opções de teto ou de parede. “Já fui em todas as lojas possíveis e em nenhuma tem ventilador”, conta a auxiliar de enfermagem Rosalina Andrade, 50. O funcionário público Sérgio Florêncio, 43, ainda apostou nas grandes redes de supermercado, mas também sem sucesso. “Procurei no fim de semana todo, não existe mais ventilador”, lamenta ele que precisa do produto para instalar no quarto dos filhos.

Nas redes varejistas, a manutenção do estoque esbarra na logística dos fornecedores, que não estão conseguindo atender a demanda e demoram pelo menos cinco dias para entregar o produto após a realização do pedido. Mesmo assim a procura por ventiladores acontece durante o expediente inteiro. “Ninguém esperava isso”, explica o gerente de uma unidade da Multiloja, César Oliveira. Na loja em que ele trabalha ainda não há previsão para a entrega dos produtos.

O vendedor de uma filial do Magazine Luiza diz que a preferência é por produtos à pronta entrega, mesmo com alguns produtos no depósito. “Os clientes querem levar o ventilador pra casa na hora, não querem esperar vir do depósito”, conta o vendedor Luciano Naldony. A previsão é que os ventiladores irão chegar em dez dias.

Corrida em busca de refresco

O calorão também pegou de surpresa os vendedores de sorvete e água mineral, que precisaram repor o estoque antes do que estava previsto. Na banca de revistas de Ionária Souza, o aumento inesperado na venda dos sorvetes quase zerou o estoque.

“Tá vendendo muito”, conta ela. O movimento dura o dia inteiro e alguns clientes fazem questão do sorvete todos os dias.

Na sorveteria Delícias do Cerrado, o movimento triplicou e o pedido que só seria feito no final do mês, teve que ser antecipado. “Chegou a faltar sorvete. Em janeiro o movimento é fraco por causa do período de férias, mas surpreendeu, nos pegou desprevenidos”, afirma a gerente Janaína Silveira.

Bebidas

Para o proprietário da distribuidora de bebidas Acuqua Mile, Leandro Francisco Pinto, está difícil manter o estoque de água mineral.

“Quinhentos galões não estão dando pra semana. Só hoje (ontem), por exemplo, chegaram 100 galões e já vendi 15”, afirma.

Em períodos em que o calor não estava tão forte, o estabelecimento demorava até três semanas para vender 50 galões de 20 litros de água mineral.

Além da água, ele também conta que a procura está grande por sucos, energéticos e refrige,rantes.