Moradores da área rural que divide os municípios de Rio Branco do Sul e Cerro Azul, na região metropolitana de Curitiba, estão há pouco mais de um mês praticamente ilhados.

O motivo é a interdição de uma ponte que liga os dois municípios. A estrutura da ponte sobre o Rio Ribeira, na Estrada de São Sebastião (há cerca de 50 quilômetros da sede de Rio Branco do Sul), ficou comprometida depois que uma das bases de sustentação foi parcialmente destruída por causa do tráfego de caminhões. O problema deve persistir por pelo menos 30 dias, até que as obras de recuperação emergencial previstas pelas duas prefeituras sejam concluídas.

A interdição da ponte – que tem cerca de 60 metros de extensão – foi realizada pela Defesa Civil dos municípios depois que a estrutura foi avariada, no dia 22 de julho.

O tráfego de caminhões que fazem escoamento de produção de madeira é apontado como a principal causa. A interdição tem prejudicado principalmente os pequenos agricultores, que precisam da ponte para fazer o transporte dos produtos.

De acordo com o produtor de laranjas Antônio Bonfim, é preciso fazer um desvio de mais de 70 quilômetros pelo município de Cerro Azul até Rio Branco do Sul. “Esse desvio aumenta o preço final do produto e favorece a nossa concorrência”, afirma. O trajeto alternativo virou rotina para os motoristas de caminhões que fazem o transporte de madeira para empresas que atuam na extração de pinus na região.

Risco

A prefeitura de Cerro Azul chegou a bloquear a extremidade da ponte que pertence ao município com terra. A medida, no entanto, não impede que pedestres, motocicletas, carros e caminhões continuem se arriscando e fazendo a travessia.

Tanto a administração municipal de Cerro Azul quanto a de Rio Branco do Sul informam que as obras de caráter emergencial devem começar num prazo de uma semana.

“Será reconstruído o pilar que deixou um vão de 30 centímetros entre a base de sustentação e a madeira da ponte”, explica o coordenador da Defesa Civil de Cerro Azul, José Nunes do Nascimento. Segundo ele, o custo da reforma temporária está orçado entre R$ 25 mil e R$ 30 mil.

O assessor jurídico de Rio Branco do Sul, Ari Nunes, afirma que, para isso, há um processo emergencial de contratação de empresa em consórcio entre os municípios, mas que a responsabilidade da obra é do governo estadual. “Como temos informações de que a licitação vai levar seis meses, o consenso se confirmou no sentido de solucionar o problema.”

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado dos Transportes informa que a construção da ponte na estrada municipal está em análise pelo setor de fomento rodoviário dos municípios. Segundo a secretaria, funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) já estiveram no local para fazer o levantamento técnico da obra.