Foto: Arquivo/O Estado

Foz do Iguaçu: crescimento acima da média.

Em termos populacionais, o Paraná cresceu menos do que a média nacional entre 2000 e 2006. Enquanto o Brasil apresentou um crescimento de 1,62%, média obtida por meio da análise da variação dos índices de natalidade, mortalidade e fluxo migratório e imigratório, o estado teve um acréscimo populacional de 1,41% no mesmo período. O controle anual da população é feito, entre outras coisas, para permitir ajustes no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), verba repassada aos municípios de todo o país.  

Porém na análise dos dados, pode-se verificar as áreas específicas de maior crescimento. Foz do Iguaçu, na região oeste, foi a cidade que apresentou maior crescimento dentre os 399 municípios que formam o Paraná. Em porcentagem, Foz cresceu 2,2% no último ano. Segundo o chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Paraná, Sinval Dias dos Santos, a taxa de natalidade alta contribui para o índice populacional elevado. ?O crescimento da população em Foz do Iguaçu varia entre 8 e 9 mil nascimentos ao ano?, diz. O movimento migratório também é forte, com muitas pessoas chegando de outros municípios e estados todos os dias.

O aumento populacional, no entanto, não altera os valores pagos à Prefeitura pelo FPM. Por outro lado, o prefeito Paulo Mac Donald Ghisi, destaca a importância do mapeamento para o repasse de outros benefícios provenientes da União, como verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). ?Com os dados também estamos trabalhando na discussão de cotas novas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços)?, diz. Ele ressalta que com o crescimento populacional, também é necessário direcionar mais recursos às áreas de saúde e segurança, e dar maiores incentivos ao desenvolvimento geral da cidade.

?A gente sente que a cidade está vivendo uma retomada do crescimento econômico, especialmente nas áreas industriais e do turismo. Por outro lado, o aumento populacional também exige maior demanda de serviços públicos?, diz, lembrando que, pela proximidade, Foz também acaba atendendo muitos brasiguaios que moram na fronteira. Apesar dos desafios, o prefeito faz projeções de um crescimento ainda maior para os próximos anos. ?Foz do Iguaçu tem um grande potencial para o crescimento, por isso vamos brigar cada vez mais por recursos?, finaliza.

Habitantes

O crescimento populacional de Foz do Iguaçu pode ter ficado acima do aumento da população em Curitiba, que foi de 2,04% entre 2000 e 2006. Mas a capital paranaense continua sendo, disparado, o município com maior número de habitantes do estado. As estimativas do IBGE apontam para uma população de 1.788.559 pessoas.

Programa do Ippuc fornece novos dados

Além dos dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como os do censo de 2000, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) criou em março o Curitiba em Dados. O programa fornece indicadores da cidade como demografia, renda, uso do solo, transporte coletivo, meio ambiente, economia, habitação, saúde e educação. ?São dados indispensáveis para que possamos analisar e definir políticas para a cidade?, diz o coordenador do Curitiba em Dados, Lourival Peyerl. Mais do que uma ferramenta para o planejamento urbano, ele assegura que o programa, disponível nos sites www.ippuc.org.br e www.curitiba.pr.gov.br, também serve para que a população conheça melhor a cidade.

Além de dados sobre Curitiba, a página traz também os índices populacionais da capital somados com os da Região Metropolitana, que tem 25 municípios no total. Segundo o IBGE, a população somada de Curitiba e RMC já chegou ao número de 3.261.168. Apesar da RMC não fazer parte da jurisdição política de Curitiba, Peyerl destaca que é importante acompanhar os índices populacionais dos municípios vizinhos porque é comum que seus moradores utilizem parte da estrutura da capital, especialmente referentes ao sistema de saúde, educacional e do transporte coletivo. ?Por isso é fundamental que haja interação entre as prefeituras da região, pois não é justo que uma cidade invista o dinheiro proveniente dos impostos pagos por seus moradores para o usufruto de outros que não participam da contribuição?, diz o coordenador. Para ele, há necessidade de compensações, como no caso de Piraquara, responsável pelo abastecimento de água de boa parte de Curitiba e região, que por sua vez, também recebe parte significativa do lixo da RMC. ?É necessário um trabalho integrado, que haja uma via de mão dupla para que todos saiam beneficiados?.