A proximidade do feriado de Finados, na próxima segunda-feira (2), e da eleição, em 15 de novembro, além da reabertura da fronteira com o Paraguai preocupam a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), mesmo com a queda no número de casos de covid-19 nas últimas semanas no Paraná.

O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, alerta para o risco de contágio nas viagens e visita a cemitérios no Finados, de aglomerações no momento de votar e do grande movimento de pessoas na Ponte da Amizade em Foz do Iguaçu.

“Nos preocupa essa questão dos feriados que vêm pela frente, a abertura da fronteira com Foz do Iguaçu. Dentro de poucos dias, teremos o feriado de Finados. Muitas pessoas vão viajar e pode existir aglomerações dentro ou na porta do cemitérios. Por isso estamos conversando com as prefeituras como devem orientar as pessoas que vão aos cemitérios”, enfatiza o secretário em entrevista ao telejornal Meio-Dia Paraná, da RPC, nesta terça-feira (27).

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Beto Preto, secretário de Saúde do Paraná. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo / Arquivo

“Depois, teremos a eleição, dia 15 de novembro. Queremos evitar o acúmulo de pessoas nos locais de votação. Tudo para tentar diminuir a força da transmissão comunitária ou ainda quebrar a velocidade da transmissão do vírus”, reforça Beto Preto.

Ainda sobre feriados, Beto Preto afirma que a movimentação de pessoas no feriado de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora de Aparecida, já teve reflexo no número de casos. E fez um apelo. “Nos últimos dias demos um pouco mais de velocidade à transmissão e mais uma vez a gente vem alertar: a pandemia não acabou!”, ressalta.

Leia abaixo trechos da entrevista do secretário Beto Preto à RPC, em que também falou de uma segunda onda de contágio e da volta às aulas, que pode acontecer em novembro, segundo o governador Ratinho Jr.

12 de Outubro

“Tivemos o feriado de 12 de Outubro. Muitas pessoas viajando, praias mais uma vez cheias, chuva em alguns locais, mais umidade. Com isso, tivemos transmissão comunitária, que ainda não se encerrou no Paraná. Apesar de estarmos com números bons últimas nas semanas, temos cerca de mil casos diários há praticamente 110 dias. Nesses últimos dias, com movimento de feriado, aglomerações, encontros e festas familiares, acabamos dando um pouco mais de velocidade na transmissão do vírus e mais uma vez a gente vem alertar: a pandemia não acabou! Ela continua acontecendo”.

Segunda onda

“O que acontece na Europa é que agora está acabando o outono e entrando o inverno. Aqui estamos acabando a primavera e entrando no verão e isso vai nos dar mais uns meses de folga, vai diminuir a incidência de novos casos e também de óbitos. Mas é importante frisar que enquanto não tivermos uma vacina eficiente e com aplicação em massa, nós também vamos chegar em fevereiro, março e abril com a possibilidade forte de uma segunda onda. “Nossa onda no Brasil não foi uma onda rápida, mas uma arrastada. E isso acabou sendo mais duro em alguns estados que em outros. No Paraná colocamos leitos à disposição e testes. O Paraná é o segundo estado que mais testou, mas mesmo assim podemos passar por uma segunda onda e isso é tudo o que nós não queremos.

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Vacina

“Estamos trabalhando para que isso [segunda onda] não aconteça. Por isso a necessidade de termos rapidamente uma vacina que seja eficiente e que possamos trabalhar sua distribuição logística o mais rápido possível, atingindo a maior quantidade de pessoas. Estamos adquirindo seringas, agulhas e nos preparando. Precisamos da vacina, seja inglesa, chinesa, russa, americana. Qualquer que seja a origem desta vacina, queremos fazer o melhor para a população do estado e essa é orientação do governador”

Finados e fronteira

“Houve um aumento pontual do número de casos, principalmente na região metropolitana de Curitiba, na capital, litoral e também no Centro-Sul do estado. Nos preocupa essa questão dos feriados que vêm pela frente e abertura da fronteira em Foz do Iguaçu. Dentro de poucos dias teremos o feriado de finados. Muitas pessoas vão viajar e pode existir aglomerações dentro ou na porta do cemitérios, onde estamos orientando como as prefeituras devem orientar as pessoas.

Eleição

“Teremos a eleição dia 15 de novembro. Fizemos uma nota orientativa tendo em vista o que publicou o TSE. Queremos ainda melhorar um pouco mais essas orientações para tentar evitar o acúmulo de pessoas nos locais de votação e nos corredores dos locais de votação. Tudo isso pra tentar diminuir a força da transmissão comunitária ou ainda quebrar a velocidade da transmissão do vírus.”

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Volta às aulas

“Continuamos avaliando a volta às aulas. Todas as escolas do Paraná estão autorizadas para atividades e aulas extracurriculares. Ainda não temos números que nos permitam franquear uma volta efetiva às aulas presenciais. Vamos continuar seguindo os números e, se houver essa possibilidade, podemos avançar. Mas hoje, final do mês de outubro, ainda não dá para afirmar que isso vai se dar. Estávamos trabalhando com queda de casos há várias semanas e estamos nas últimas três semanas com uma pequena elevação. Isso não nos deixa confortáveis nesse momento. Vamos continuar seguindo esses números diariamente, como tem sido desde o início da academia.”