O Paraná ganhou 208 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). A portaria de credenciamentos desses leitos, distribuídos em dezessete hospitais do Estado, foi assinada ontem, em Curitiba, pelo ministro da Saúde, Humberto Costa. Com isso, o déficit do Paraná em vagas de UTI será sensivelmente reduzido, totalizando 1.011 leitos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Porém o Estado ainda ficará abaixo do que recomenda o Ministério em termos de leitos. Existem hoje no Paraná 28.498 mil leitos hospitalares, sendo que apenas 2,68% são leitos de UTI. O Ministério indica, no mínimo, 4% de leitos de UTI sobre o total de leitos existentes. Com o cadastramento desses 208 leitos, este percentual subirá para 3,42%. O Ministério da Saúde repassará ao Estado R$ 519,88 mil/mês ou R$ 6,23 milhões/ano pelos leitos.

Para o secretário da Saúde do Paraná, Claudio Xavier, as novas vagas vão suprir momentaneamente a necessidade do Estado, que pretende conquistar outros 127 leitos. Segundo Xavier, isso é necessário para que o Paraná tenha uma margem de reserva e possa atender regiões mais carentes. Xavier disse também que dos leitos credenciados ontem, 74 são novos e os demais foram reestruturados. Ele adiantou que o governo do Estado vai liberar R$ 2,5 milhões para leitos neo-natal e equipar outras unidades.

Sistema móvel

Essa ampliação no número de UTIs, diz o ministro, é uma iniciativa do ministério de tentar zerar a deficiência que existe no setor. Desde o início do ano foram credenciados 2233 leitos em todo o Brasil, sendo que ainda existe um déficit de 1.418 leitos de UTIs. “Estamos tentando gradativamente reduzir esse número”, comentou. Paralelamente, adiantou o ministro, estão sendo criados leitos intermediários nos hospitais para atender à demanda.

Uma outra iniciativa do ministério é a criação do Sistema Móvel de Urgência, que vai atender 238 municípios com unidades de UTI e atendimento móvel. O projeto inicia ainda este ano em São Paulo e outras 12 cidades que já contam com um serviço semelhante. É o caso do Paraná que possui o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate), do Corpo de Bombeiros. Segundo Costa é idéia é que sejam financiados pelo ministério 800 veículos. Todo o serviço será controlado por uma central reguladora para tornar mais rápido o atendimento nos municípios.

As unidades do Paraná com leitos de UTI credenciados pelo Ministério da Saúde são:

Hospital de Clínicas da UFPR (Curitiba) – 14 leitos para adultos e oito especializados; Hospital Nossa Senhora das Graças (Curitiba) – seis leitos para adultos, três pediátricos, dois neonatais, quatro especializados; Hospital Universitário do Cajuru (Curitiba) – 12 leitos para adultos e dez especializados; Hospital e Maternidade de Santa Rita (Maringá) – 12 leitos para adultos; Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa – 14 leitos para adultos;

Hospital Modelo Mediclin Clínica da Mulher e da Criança (Curitiba) – nove leitos para adultos; Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba – 18 leitos para adultos e dez especializados; Associação Beneficente Hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Campo Mourão – sete leitos para adultos, cinco pediátricos e três neonatais; Santa Casa de Misericórdia Maria Antonieta (Goirerê) – cinco leitos para adultos; Sociedade Evangélica Beneficente de Londrina – 12 leitos para adultos, três pediátricos e quatro neonatais; Clínica Médica Nossa Senhora da Salete (Cascavel) – cinco leitos para adultos e quatro pediátricos; Hospital Bom Jesus de Ponta Grossa – dois leitos para adultos; Hospital e Maternidade Angelina Caron (Maringá) – sete leitos para adultos e três pediátricos; Santa Casa de Misericórdia de Maringá – um leito pediátrico e um adulto; Hospital Regional Universitário de Maringá – quatro leitos para adultos; Hospital e Maternidade Santa Helena (Apucarana) – oito leitos para adultos; Irmandade Santa Casa de Londrina – 12 leitos para adultos.

Programa leva camisinha a escolas

O brasileiro tem iniciado cada vez mais precocemente sua vida sexual. A média no País é em torno de 14 anos de idade. A falta de informação tem aumentando o número de casos de aids na população entre 13 a 19 anos, além dos casos de gravidez na adolescência. Para tentar reverter esse quadro, o Ministério da Saúde vai distribuir preservativos nas escolas.

O programa Saúde e Prevenção nas Escolas foi lançado ontem em Curitiba, que é uma das cidades escolhidas ? juntamente com Rio Branco, Xapuri (AC), São Paulo e São José do Rio Preto (SP) ? para ser piloto dessa iniciativa. A meta do ministério é atingir neste ano 105 mil alunos, devendo chegar em 2006 com uma distribuição de 235 milhões de preservativos por ano para 2,5 milhões de estudantes de todo o País. Serão fornecidos até oito preservativos por mês por aluno que se inscrever no programa. O custo total da primeira fase será de US$ 7 mil.

A iniciativa é uma parceria dos ministérios da Saúde e da Educação, com apoio da Unesco (Organizações das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). De acordo com o coordenador do Programa de DSTs e Aids do Ministério da Saúde, Alexandre Granjeiro, uma pesquisa da Unesco identificou que 32% das pessoas iniciam sua vida sexual entre 13 a 17 anos, 72% acima dos 18 anos, e a média é de oito relações por mês. Mas existem algumas regiões do País, como Norte e Nordeste, que essa realidade é diferente, com o início cada vez mais cedo.

Para o ministro da Saúde, Humberto Costa, o programa não pode ser visto como um incentivo às relações sexuais, pois a realidade já existe e é preciso colocar os preservativos a disposição para reduzir os índices negativos. “Será colocada à disposição dos jovens que têm interesse em se proteger”, disse. Segundo ele, o Brasil possui 600 mil pessoas contaminadas pelo vírus da aids, mas esse número poderia ser muito maior se o País não tivesse investido na prevenção.

Prevenção

O secretário de Educação Média e Tecnológica do Ministério da Educação, Antônio Ibañez Ruiz, destaca que o projeto será mais um meio para os professores e alunos estarem discutindo o assunto nas escolas. “Com isso estaremos combatendo a incidência da aids e da gravidez precoce entre os jovens”, disse. De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 1999 a abril deste ano foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) 210.946 partos em adolescentes na faixa etária de 10 a 19 anos, e registrados, nessa mesma faixa etária, 219.834 casos de abortos.

Nos anos de 2000 a 2002, foram notificados 531 novos casos de aids em meninas de 13 a 19 anos, contra 372 casos em rapazes da mesma idade. E a grande preocupação do Ministério é que se esse quadro não se modificar, pode ocorrer uma regressão na luta contra a epidemia no Brasil, principalmente pelo perigo de um aumento da transmissão vertical do vírus (de mãe para filho, durante a gestação, parto ou a amamentação).