Foto: Átila Alberti

Terrenos baldios podem se tornar viveiros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

A combinação de altas temperaturas, muita chuva e falta de cuidados da população contribuiu para que a dengue se espalhasse pelo Paraná. Hoje, dos 399 municípios do Estado, 111 apresentam casos da doença. Já são 2.020 pessoas contaminadas pela enfermidade. Desses, 1.738 casos são autóctones, quando a contaminação acontece na cidade em que a pessoa vive. O recorde da dengue nos últimos anos aconteceu em 2003, quando foram registrados 9.438 caos. Ubiratã, na região oeste, é o recordista de casos autóctones: ao todo, 552 pessoas contraíram o vírus da dengue. Na seqüência vêm Maringá, com 252 casos, e Santa Helena, com 250 casos.  

Segundo o coordenador técnico do controle da dengue da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Sílvio Brendt, a maior preocupação em relação à dengue está na 11.ª, 15.ª e 20.ª Regionais da Saúde. ?Os cuidados com a conscientização estão sendo tomados em todas as regiões, mas onde há mais casos já consideramos epidemia e o trabalho é mais intenso?, diz. Por trabalho mais intenso entenda-se ação constante do caminhão conhecido como ?fumacê?, que lança no ar inseticida que combate o mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus Flavivirus, transmissor da doença. ?Além disso, agentes de saúde visitam constantemente as residências, orientando a população a não deixar água parada, já que é nesse ambiente que o mosquito coloca as larvas.?

Foto: Ricardo Lopes/PMM

Fumacê está sendo muito utilizado nas cidades do Paraná.

Nas casas localizadas em um raio de 300 metros de onde se desenvolveu a doença, o controle é mais rígido e os agentes exigem que as pessoas não só troquem a água, como lavem os pratos das plantas, onde as larvas crescem. Também estão sendo colocados larvicidas nos bueiros e córregos.

O diretor da 11.ª Regional da Saúde, Rosevelt Virgínio, que engloba o município de Ubiratã, diz que a principal medida tomada até agora para conter a propagação da doença foi descentralizar o apoio logístico para a região de Maringá. ?Ficou mais fácil o acesso ao material de combate, inclusive ao apoio humano, como deslocamento de mais agentes para os locais onde há mais casos?, diz.

No ano passado, a maior epidemia também foi contida pela 11.ª Regional, mas aconteceu em Goioerê. ?Em Ubiratã a população está mais conscientizada e está colaborando no combate à doença.?

A reincidência do maior número de casos na região oeste não é obra do acaso. Segundo Virgínio, a região é uma área endêmica. Ou seja, a doença já existe na região e fica latente. ?Quando começa a fazer muito calor e chega a época de chuva, o mosquito se multiplica mais rapidamente e o risco de epidemia aumenta. Calor e água em excesso somados ao descuido da população é uma mistura perigosa.?

A preocupação com a região oeste se estende a Foz do Iguaçu, área de fronteira com o Paraguai. ?Eles estão com dificuldade de conter a dengue e temos que tomar todos os cuidados para que mais casos do país vizinho não venham para o Paraná.?

Na 20.ª Regional, que responde por Santa Helena e Marechal Cândido Rondon, o supervisor de endemias, Ernesto Fernandes, diz que para conter a doença até a igreja se envolveu no trabalho de conscientização. ?A igreja tem um poder grande de chegar aos fiéis e precisamos da colaboração da população para combater o mosquito e conseqüentemente a dengue?, diz. Para combater os focos da doença, há também o passeio dos fumacês e larvicidas estão sendo colocados em bueiros para matar as larvas. ?Abrimos fogo contra a dengue. É uma briga de todos: das regionais e da população?.