Foto: Anderson Tozato/O Estado
Apresentação de pouco mais de uma hora contagiou o público.

Uma noite de luz, cores e, sobretudo, agradáveis e emocionantes sons. Se o público que acompanhou ontem a apresentação de estréia do coral HSBC no Palácio Avenida pudesse descrever o espetáculo, provavelmente usaria estas palavras. A platéia entregou-se de corpo e alma ao tema do espetáculo: a própria música, cantada pelas 160 crianças do coro como uma dádiva dos céus. E com o misto de cantos e encenações, o anúncio do Natal veio para transformar as noites da Rua XV em palco para os fiéis seguidores do famoso coro durante todo o mês.

Quem não falta às apresentações também não poderia deixar de chegar cedo para garantir o melhor lugar. As estudantes Nutzi Cristine e Crislaine de Siqueira, de 16 anos, sentaram na calçada mesmo, em frente às principais janelas e ali acompanharam todas as 16 músicas do espetáculo. Para elas, as crianças são o grande destaque. ?Passam esperança, paz. Elas são o futuro do País, acho que temos de prestar mais atenção ao que dizem?, acredita Crislaine. Ela e a amiga se emocionaram com a estréia, especialmente por conta do tema. ?Somos movidas por música; sempre passa uma mensagem para a gente?, diz, completada por Nutzi: ?A música é energia, letra. É vida.?

Faça frio ou ameace chuva, a noite de estréia sempre foi imperdível para a administradora Maria Zélia de Souza, que ontem acompanhava a prima Maria Aparecida de Oliveira, mãe de uma das crianças do coral. ?Assistimos sempre de camarote, devidamente equipadas?, disse, com a sombrinha a postos. Para Zélia, que costuma chorar nas apresentações, a alegria transmitida pelos cantores vale a noite. ?Elas passam uma mensagem de Jesus, que é alegria, confraternização, aquela que a gente aprendeu quando éramos pequenos.?

A apresentação de pouco mais de uma hora acabou ficando curta para Luzeni de Moura, mãe de três crianças do coral. Ela contou da dificuldade em conter a euforia da estréia. ?É bagunça tripla?, diz. Mas isso não significa falta de disciplina ou de responsabilidade. A filha Juliana, por exemplo, tem dez anos e participa pela terceira vez. Segundo a mãe, o coral ajuda em todos os sentidos. ?Desenvolveu nela mais concentração e melhorou até o desempenho na escola?, avalia. Este ano, Juliana está se apresentando próximo à janela central, posição de destaque almejada por todos os cantores. O sentimento da pequena é descrito em uma palavra: ?felicidade?, diz, mesmo confessando um certo nervosismo. ?Vejo um monte de sorrisos lá de cima.?

Próximo ao momento de começar a apresentação, Ana Carolina de Souza, onze anos, era pura concentração. ?Ela não demonstra, mas fica ansiosa para estar bem diante do público?, afirma a mãe Rosana. O convívio durante os ensaios também faz bem a Carol, que tem se soltado mais em meio às outras crianças. ?Era muito tímida e isso fez uma mudança na vida dela.? De fato, lá embaixo dá para ver a transformação em cada rosto. ?Para eles é um sonho e, para a gente, um encanto?, descreve a mãe.