Foto: Átila Alberti/O Estado
Prédio no centro de Curitiba pode estar com problemas estruturais.

O Cine Plaza, uma das remanescentes salas de cinema fora dos circuitos de shoppings centers de Curitiba, corre sérios riscos. Pelo menos é o que afirma o presidente da Associação dos Servidores Públicos do Paraná (ASPP), Brasil Paraná de Cristo. A entidade é dona do terreno onde o cinema foi construído e briga na Justiça para reavê-lo.

Segundo Cristo, o prédio está com sérios problemas estruturais, como rachaduras na fachada, infiltrações e complicações no sistema elétrico, além de estar infestado por cupins. "A situação é crítica e foi atestada pelo Corpo de Bombeiros, em ofício emitido no dia 13 de março deste ano. Eles só não mandaram fechar o cinema porque alegaram não ter a competência legal", diz o presidente. "Eles deram uma maquiada no Cine Plaza no ano passado, para o festival de cinema. Nosso temor é que aconteça uma tragédia, com vítimas fatais. Como o arrendatário nunca fez seguro do local, nós seríamos acionados", afirma.

Sem respostas da Prefeitura ou do Ministério Público, a ASPP entrou na Justiça com o pedido de reintegração de posse. Porém a Justiça protelou a decisão para janeiro de 2007, o que preocupa o presidente. "Do jeito que está a estrutura do local, sem qualquer intervenção, o pior pode acontecer."

Segundo o engenheiro da Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi), Jorge Castro, a Prefeitura tomou conhecimento da denúncia e anteontem esteve no local. "Estava tudo fechado. Tocamos a campainha, mas ninguém apareceu", disse. Ele assegura que a Prefeitura não havia tomado conhecimento do laudo de reprovação do Corpo de Bombeiros e, que se for confirmada a falta de condições de segurança do prédio, ele será interditado. "Uma vez registradas as irregularidades, damos um prazo para que providências sejam tomadas. Caso não aconteçam, fechamos o local", explica.

Histórico

O Cine Plaza foi inaugurado em dezembro de 1964, após ser construído sobre um terreno comprado pela ASPP nos anos 50, junto à Sociedade Thalia. Sem capital para construir a sede da entidade no local, a diretoria da época acabou negociando o arrendamento da área com uma empresa de filmes de São Paulo. "O acordo era por vinte anos. Após esse período, a empresa devolveria o local à ASPP", diz Cristo. Em 1984, houve a prorrogação do prazo, e o cinema acabou ficando sob os cuidados de Alfredo Prim, que segundo Cristo passou a dizer que tinha direitos adquiridos sobre o cinema. "Ele conseguiu um contrato não se sabe de onde e acabou negociando o cinema com Nicholas Paim, que hoje é o administrador do local", diz Cristo.

Alegando que o contrato não tem validade, a ASPP busca reaver o terreno e tenta interditar o cinema antes que surjam maiores problemas, pois ele afirma que a sala tem sido alugada para encontros de evangélicos e alguns grupos de teatro. "Eles não têm como fazer a manutenção. Os filmes em cartaz estão sempre defasados e nem o IPTU eles conseguem pagar. Somos nós que pagamos para eles. Desde janeiro de 2003, eles não tem sequer alvará de funcionamento", assegura o presidente da ASPP. "Só queremos de volta o que é nosso", finaliza.