As previsões sobre o pico da Covid-19 no Paraná vão se atualizando ao passar das semanas e dependendo do método de projeção. Logo no início da pandemia no estado, ainda em março, o governo projetava ao todo 10 mil casos da doença com uma hipótese de explosão até 30 mil. Os 10 mil casos foram ultrapassados exatamente nesta terça (16), conforme boletim que confirmou mais 841 casos, um novo recorde.

À época da projeção, mesmo com o novo coronavírus sob controle, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) previa o pico da doença para este presente momento, na passagem do outono para inverno, com a queda na curva entre julho e agosto. O secretário da pasta Beto Preto chegou a apontar para um período específico, entre 15 e 20 de maio.

Entretanto, no início de junho, com a maior circulação de pessoas nas ruas, o estado registrou recorde de novos casos e mortes pela Covid-19 e a Sesa já evita projetar o exato pico da doença. Na ocasião dos recordes (segunda-feira passada), o diretor-geral Nestor Werner Júnior declarou: “Não temos palpite sobre o pico da doença e nem sabemos se, de fato, achatamos a curva com as medidas tomadas até aqui. Isso só concluiremos no final. A lida com a doença tem que ser diária”.

Agora, um estudo inédito desenvolvido por cientistas de dados da Funcional Health Tech (plataforma independente de dados do setor de saúde), prevê que o pico da contaminação de Covid-19 no Paraná será em agosto, mais precisamente no dia 21. “O dia é o que o estudo diz, mas podemos considerar o meio de agosto com os dados disponíveis até dia 2 de junho”, diz o gerente de ciência de dados da empresa, Paulo Salem.

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A conclusão é resultado do modelo matemático de epidemiologia SEIR (Suscetível, Exposto, Infeccioso, Recuperado), que tenta decifrar a dinâmica de transmissão da doença na população através da relação de quatro estados dos indivíduos e supõe que as pessoas já infectadas são imunizadas e, portanto, não são suscetíveis a nova infecção. São considerados dados sobre novos casos, mortes e curados por dia, além da quantidade total da população.

“É um modelo clássico com algumas variações, abordagens customizadas e melhorias. O principal objetivo é dar suporte a gestores de saúde e outros cientista de dados, um ponto de partida em análises regionais para definir medidas e protocolos”, explica Selem sobre a disponibilidade do código aberto para que qualquer profissional da área faça suas análises.

Ele alerta que a previsão está diretamente ligada à qualidade dos dados, questões de substantificação e à mudança no comportamento da apuração e divulgação dos dados. E que se baseia “apenas em números”, sem observar mudanças de comportamentos da sociedade, por exemplo. “Não vai além dos dados, ou seja, não entram na conta questões como se as pessoas estão obedecendo as recomendações das autoridades sobre distanciamento, prevenção, só olha os números”, diz Salem.

Estado seria um dos últimos a ter pico da doença

De acordo com a projeção, feita também para outros 24 estados e o DF (Roraima e Sergipe ficaram de fora por não terem todos os dados disponíveis pelos demais), o Paraná seria o antepenúltimo a chegar ao pico da Covid-19, antes apenas de Goiás e Maranhão, ambos previstos para 23 de agosto pelo modelo.

Em seu pico, o Paraná chegaria a 13.969 mil de contaminados ativos – o menor em todo o estudo – , ou seja, excluindo casos de pessoas recuperadas ou que foram a óbito, apenas as contaminadas na data específica (21/8) e não o total acumulado de infectados ao longo da pandemia. Atualmente o número de infectados é de 6.978.

“Quanto mais longe o pico é empurrado para frente, menor ele deve ser. Essa é a dinâmica buscada para que o sistema de saúde suporte”, resume Salem.

Pelo estudo da Funcional Health, o número acumulado de pessoas infectadas e diagnosticada com o vírus da Covid-19 no Paraná chegaria a 153,7 mil.


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