Um estudo divulgado esta semana pelo Centro de Pesquisas do Grupo Catho mostra que 64% dos entrevistados consideram que a renda piorou depois que se aposentaram. A pesquisa feita com internautas ouviu cerca de mil pessoas. Dos pesquisados, 23% têm renda mensal entre R$ 1 mil e R$ 2 mil e 48% entre R$ 2 mil e R$ 7 mil.

Os aposentados mais abastados conseguem manter um padrão de vida elevado, graças aos vários investimentos que fizeram antes da aposentadoria. Mesmo assim reclamam que a renda caiu em relação ao período em que estavam na ativa. Hoje, se dependessem só do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ganhariam em média R$ 1,1 mil. Setenta e cinco porcento dos questionados têm como uma das fontes de renda o INSS, 37% contam com o fundo de pensão privada, 31% tem aplicações, 23% aluguéis, 13% próprio negócio, 12% consultoria, entre outros.

O outro lado

Mas se os aposentados mais abastados reclamam, o que se pode dizer da maioria que recebe em média um salário mínimo. Segundo dados do Sindicato Nacional dos Aposentados, dos 21,8 milhões de segurados do INSS, 14,2 milhões ganham apenas R$ 260. Com uma renda tão pequena, 20% deles se aposentam e continuam trabalhando. A advogada do sindicato no Paraná, Juliana Miguel Rebeis, explica que isso ocorre porque é uma questão de sobrevivência. “Nessa idade eles ficam doentes com mais facilidade e os remédios são caros”, comenta.

Segundo Juliana, nessa categoria também se observa o problema da redução da renda. Ela explica que em alguns casos as pessoas contribuem com o equivalente a mais de um salário mínimo, mas quando passam a receber o benefício ele não corresponde ao valor da contribuição. “Sempre recebo gente no sindicato questionado os valores”, revela.

Além disso, ao longo do tempo há um achatamento dos salários. Os números são a prova disso. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical, João Inocentini, das pessoas que ganham o mínimo, apenas a metade se aposentou ganhando isso. O restante foi tendo o salário desvalorizado devido a falta de correção. “Tudo subiu e o aposentado ficou com o salário congelado”, reclama.

Sem previsão de volta, greve do INSS completa um mês

A greve dos funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) completou ontem 30 dias. Dos 70 mil servidores existentes no País, cerca de 80% aderiram ao movimento. No Paraná, são 1.664 trabalhadores, dos quais 304 estão de braços cruzados e o restante está prestando atendimento parcial.

Segundo a diretora da secretaria jurídica do Sindicato dos Servidores da Previdência Social, Jaqueline Gusmão, não há previsão de volta às atividades normais. O motivo é que o governo federal e os servidores não estão conseguindo chegar a um acordo que seja satisfatório a ambas as partes.

“Queremos um reajuste salarial de 127% referente aos últimos nove anos, dos quais 50% seriam pagos em caráter emergencial. O governo está nos propondo um reajuste de 7 a 32% e não sobre o salário, mas sobre gratificações”, explica Jaqueline.

Explicações

O Ministério Público Federal (MPF), através do procurador da República dos Direitos do Cidadão (PRDC), Sérgio Cruz Arenhart, encaminhou na quarta-feira um ofício ao INSS. No documento, o procurador pede que o instituto forneça dados sobre as providências que estão sendo adotadas para a restauração da normalidade dos serviços do INSS, além de uma relação dos serviços que estão sendo mantidos pelo instituto na pendência da paralisação e de quantos servidores aderiram à greve no Paraná. O INSS tem cinco dias, a contar a data do recebimento do ofício, para repassar as informações ao MPF. Arenhart está apurando a legalidade da greve pelos servidores do INSS e os dados solicitados serão avaliados para que sejam tomadas as providências cabíveis. Além de pedir informações ao instituto, o PRDC também solicitou cópias de reportagens em veículos impressos e emissoras de televisão.

Das 51 agências existentes no Paraná, 27 estão abertas, vinte funcionando de forma parcial e quatro (em Cascavel, Realeza, Apucarana e Arapongas) estão fechadas.