O papa João Paulo II mostra os primeiros sinais de perda de consciência e seu estado de saúde se deteriora ainda mais. O Vaticano informou hoje (02) que ele não estava "tecnicamente em coma" e chegava a abrir seu olhos quando tentava falar. Mas o comunicado de imprensa emitido deixava claro que a situação do papa era delicada e "gravíssima". "Desde o início da manhã de hoje (sábado), foi notada um início de perda do estado de consciência", afirmou o porta-voz do Vaticano, o espanhol Joaquin Navarro-Valls.

O anúncio das informações sobre a saúde de João Paulo II foi marcado, nos últimos dias, por controvérsias, rumores e polêmicas. Na sexta-feira pela manhã, os jornais italianos já afirmavam que o papa havia entrado em coma, fato que não foi confirmado pelo Vaticano. No final da sexta-feira, agências de notícia anunciaram a morte de João Paulo, para mais uma vez serem desmentidos pelo Vaticano.

No entanto, a Santa Sé reconheceu que desde a manhã de hoje, foram identificados "os primeiros sinais de que sua consciência está sendo afetada". "Em algum momento, é como se ele estivesse descansando com seu olhos fechados, mas quando alguém lhe dirige a palavra ele abre seus olhos", disse o porta-voz do Vaticano. Uma missa teria sido celebrada hoje em sua presença. Mas em um esforço em manter a imagem de João Paulo II como o papa dos jovens, Navarro-Valls afirmou que o pontífice chegou a pronunciar algumas palavras no final da tarde de sexta-feira, momento exato em que os jornais italianos começavam a anunciar sua morte.

Curiosamente, essas informações não constavam do comunidade de imprensa emitido no início da noite de sexta-feira pelo Vaticano.

Segundo Navarro-Valls, as pessoas mais próximas ao papa lhe informaram que muitos jovens estavam na Praça São Pedro desde que souberam da piora em sua situação. João Paulo II teria então se referido a esses jovens ao tentar se pronunciar. "Eu procurei por vocês. Agora vocês vieram a mim. E eu agradeço a vocês", teria dito o papa.

Apesar do entusiasmo dos fiéis, a notícia de sua fala deixou muitos em dúvida sobre as declarações do Vaticano e evidenciou as diferenças entre a versão oficial do estado do papa e o que estava sendo publicado na imprensa italiana. Hoje, o diário italiano la Stampa abriu sua capa com o ano de nascimento e de morte de João Paulo II. Para muitos na Itália, essa manchete foi considerada desrespeitosa. Programas de debate na televisão foram dedicados ao comportamento dos jornais italianos e do Vaticano diante dos fatos.

Já o jornal de Gênova, Il Secolo XIX, anunciou em sua edição de hoje a última nota escrita por João Paulo II, que teria sido um pedido para que seus auxiliares não chorassem por ele. "Estou feliz e vocês também deveriam estar. Vamos rezar juntos com alegria", diria a nota, produzida com a ajuda do secretário particular do papa, arcebispo Stanislaw Dziwisz. Mas o Vaticano afirmou que não teria como confirmar a informação. Hoje, um dos poucos cardeais da Igreja a falar com a imprensa foi Achille Silvestrini, que afirmou ter visitado Joao Paulo II na manhã de hoje. Outro cardeal, Jean-Louis Tauran, também teria acompanhado Silvestrini em sua visita aos aposentos do papa. "Ele estava relaxado, plácido e sereno", afirmou Silvestrini. Segundo o cardeal, o papa estava em sua cama e não respirava com dificuldades.

Segundo a versão oficial do Vaticano da noite de sexta-feira, o papa estaria com dificuldades para respirar. Apesar de apontar uma perda de peso do papa, o cardeal acredita que João Paulo II o reconheceu quando ele entrou em seu aposento. "Ele reagiu", afirmou.

Enquanto a situação do papa não se define e uma multidão ainda aguardava informações sobre o destino do líder da Igreja católica, o Vaticano insistia em demonstrar que continua a funcionar sem problemas. Hoje, pelo segundo dia consecutivo, a Igreja emitiu uma lista de novos bispos e a indicação de embaixadores da Santa Sé em países centro-americanos.