Pela segunda vez em menos de um mês, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmud Abbas, se reunirão na próxima semana, desta vez para analisar assuntos de ajuda humanitária. Espera-se que a reunião ocorra antes que o partido Fatah, de Abbas, e o grupo extremista Hamas formem um governo de unidade nacional, algo que provavelmente complicará as relações entre ambas as partes.

"É muito importante realizarmos essas reuniões para que possamos manter aberto o canal de comunicação", afirmou Miri Eisin, porta-voz de Olmert. Segundo Eisin, ainda não foi fixada uma data exata para o próximo encontro. Os dois líderes se reuniram em 19 de fevereiro em companhia da secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. O jornal israelense Maariv disse que a próxima reunião será apenas entre ambos, e possivelmente Rice deverá fazer uma visita em março para se reunir com cada um em separado.

Ainda segundo o diário, Olmert tentará fortalecer seus vínculos pessoais com Abbas, ao mesmo tempo em que buscará convencê-lo de desistir de sua aliança recém-formada com o Hamas. A reunião do mês passado rendeu poucos resultados, em meio a temores israelenses e palestinos em torno do planejado governo de unidade Fatah-Hamas.

O último acordo de poder compartilhado entre o Fatah e o Hamas, que atualmente controla o parlamento palestino, aparentemente não cumpre com as exigências internacionais de que o governo reconheça Israel, aceite acordos de paz anteriores e renuncie à violência. O acordo apenas diz que o governo "respeitará" tratados de paz alcançados anteriormente.

Ainda hoje, o líder exilado do Hamas, Khaled Mashaal, confirmou a oferta iraniana para financiar seu movimento radical palestino para compensar o bloqueio de fundos ocidentais contra o governo palestino. Mashaal, que chegou ao Irã hoje pela manhã, afirmou durante uma entrevista coletiva ao lado do chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, que Teerã está dando suporte financeiro e político aos palestinos, cujo governo vem sendo boicotado desde que o Hamas assumiu o poder em março do ano passado.

Sabe-se que o Irã já enviou cerca de US$ 120 milhões ao Hamas desde que o grupo venceu as eleições parlamentares palestinas. Mas não está claro quanto dinheiro a Autoridade Nacional Palestina, presidida por Abbas, recebeu até agora.