Grandes empresas de mineração e siderurgia no mundo projetam um cenário positivo para os próximos anos, e não temem ameaças como desaceleração no ritmo de crescimento da economia mundial, ou possibilidade de uma recessão na economia americana. Nomes como Tata Steel, Corus Group, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), grupo Gerdau, Vale e Sinosteel mostraram, durante a 14ª Conferência Mundial de aço (World Steel Conference), que estão investindo pesado em aumento de capacidade e diversificação em suas atividades de negócios, apostando em um cenário de forte demanda mundial por produtos siderúrgicos. Durante dois dias, executivos dos principais grupos mundiais apresentaram o cenário para os próximos anos em clima de franco otimismo.

A indiana Tata Steel, um dos maiores grupos siderúrgicos do mundo, está atenta ao desenvolvimento do mercado mundial. O assessor do Conselho da empresa, Amit Chatterjee, comentou que a produção mundial de aço nos últimos quatro anos passou por um acréscimo de mais de 346 milhões de toneladas por ano, o que representa quase dez vezes a produção anual brasileira, que atingiu 34 milhões de toneladas em 2007. O crescimento mundial foi puxado principalmente por Índia e China.

O diretor-presidente da Sinosteel Brasil Metalúrgica Trading, Weixian Zhang, disse que a empresa planeja estudar projetos de exploração de minério de ferro no Brasil para posterior desenvolvimento de parcerias. Zhang explicou que sua empresa poderá atuar sozinha em atividades de exploração de minério de ferro, níquel e manganês, ou ainda entrar em projetos já existentes. A Sinosteel é uma das maiores importadoras de minério de ferro da China, com compras de 25 milhões a 30 milhões de toneladas anuais de minério de ferro.

Para o executivo-chefe da CSN, Philippe Varin, a indústria siderúrgica no mundo pode até enfrentar muitos desafios nos próximos anos, como a escalada nos preços do frete, por exemplo. "Mas esses desafios, tenho certeza, não serão ameaças e sim oportunidades para o crescimento do setor", disse. A aposta de Varin é por um cenário de demanda aquecida no mercado mundial para o setor siderúrgico.