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Presidente da Itália pede que primeiro-ministro tome posição sobre Venezuela

  • Por Estadão Conteúdo

Espanha, França e Alemanha, entre outros países europeus, reconheceram Juan Guaidó como presidente interino; partidos do governo de coalizão do Parlamento ainda não declararam apoio a Maduro nem ao líder da Assembleia Nacional

ROMA – O presidente da Itália, Sergio Mattarella, afirmou nesta segunda-feira, 4, que não pode existir dúvidas entre a “democracia” e a “força”, pedindo que o governo adote uma posição oficial sobre a crise política na Venezuela. O primeiro-ministro, Giuseppe Conte, e o secretário de Interior italiano, Matteo Salvini, ainda não se pronunciaram, o que causou críticas de políticos da oposição e do secretário de Relações Exteriores da França.

“Não pode haver incerteza nem dúvidas: por um lado, a escolha é entre a vontade popular e o desejo por democracia autêntica e, do outro, pela violência da força”, disse o chefe de Estado italiano durante a inauguração de um centro para refugiados de Roma.

Nesta segunda, diversos países europeus, dentre eles a Espanha, França, Alemanha, anunciaram apoio ao presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, após o fim do prazo de oito dias para que Nicolás Maduro convocasse novas eleições presidenciais.

O presidente italiano acrescentou que se trata de uma situação “que requer senso de responsabilidade e clareza em contrapartida com nossos aliados e nossos sócios na União Europeia.” Para ele, a crise venezuelana é relevante para a Itália devido aos laços estreitos entre os dois países, principalmente para os cidadãos italianos na América do Sul e para os venezuelanos na Itália.

Juan Guaidó, em entrevista ao jornal Corriere della Sera, afirmou que fará o possível para conseguir o apoio da Itália, que considerou “muito importante” para o país.

Silêncio

As palavras de Mattarella foram ditas durante o silêncio do governo de coalizão de extrema direita, formado pelos partidos Movimento 5 Estrelas (M5S) e Liga Norte, que não deu uma posição oficial sobre Maduro.

“Dar ultimatos, sanções, congelar os bens da Venezuela… Isso significaria abrir espaço para uma intervenção militar”, declarou Alessandro Di Battista, figura proeminente do M5S, que compõe metade da coalizão e foi o partido mais votado nas últimas eleições.

Já Matteo Salvini, do Liga Norte, aliado do Movimento 5 Estrelas, foi a favor de Guaidó. “Maduro é um dos últimos ditadores de esquerda que restam, e ele governa com o uso da força e está deixando seu povo com fome. A esperança é que haja eleições livres o mais rápido possível”, afirmou nesta segunda em declaração.

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, afirmou na semana passada que “não é prudente” apoiar qualquer uma das partes envolvidas na crise da Venezuela. “Quando há uma crise desse tipo, não consideramos oportuno se precipitar em reconhecer uma posse que, em qualquer caso, não passou por um processo eleitoral”, disse. Essa posição “não quer dizer absolutamente” que a Itália apoie Maduro.

O Partido Democrático, de oposição, apresentou uma moção pedindo que o Executivo se comprometa a reconhecer Guaidó como presidente interino “a fim de celebrar novas eleições livres” e criticou o “insuportável isolamento” da Itália nessa crise.

Na semana passada, quando o Parlamento Europeu anunciou apoio a Guaidó em votação, os deputados italianos do M5S e Liga Norte se abstiveram da votação.

‘Acomodado’

O ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, comentou nesta segunda-feira a indecisão da Itália quanto à questão venezuelana. Para ele, quando se trata de assuntos importantes, o governo italiano pode ser acomodado. “Quando chega o momento em que a ação é necessária, a Itália pode virar as costas”, disse a uma rádio francesa.

Nas últimas semanas, a França e a Itália trocaram farpas devido aos protestos dos coletes amarelos. No episódio, membros da coalizão italiana disseram ser favoráveis às manifestações que são contra a atual administração francesa. (Com agências)

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