Tropas sírias entraram em confronto com desertores e bombardearam bairros tomados por rebeldes na cidade de Homs, região central do país, matando pelo menos 18 pessoas, um dia depois de o governo afirmar que havia iniciado a retirada de tropas das ruas, como parte da implementação de um plano internacional para encerrar a violência na Síria.

Ativistas disseram que entre os mortos estão um homem e seu filho, que perderam a vida durante um combate no distrito de Qusour, em Homs. Segundo eles, os novos ataques mostram que o presidente Bashar Assad não está levando a sério a implementação do cessar-fogo proposto pelo ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan.

Assad concordou com o prazo final de 10 de abril para a implementação do plano apresentado por Annan, que exige que as forças do regime sejam retiradas das cidades e a observância de um cessar-fogo. Combatentes rebeldes também devem interromper suas atividades.

Ativistas disseram na terça-feira que o regime estava correndo para esmagar os oponentes antes da data do prazo final, realizando intensos ataques, prisões e bombardeios.

Em Homs, reduto da dissidência ao governo de Assad, o opositor Mohammed Saleh disse que uma série de explosões quebrou janelas de sua casa e que fortes disparos de metralhadora eram ouvidos em várias partes da cidade velha.

Segundo ele, não ficou claro o que causou as explosões. Nos últimos dias, desertores armados, conhecidos como Exército Livre Sírio, tomaram o controle do hospital nacional no distrito de Jouret al-Shayah e de outros dois prédios do governo.

“Não há sinal de retirada ou de calma em Homs”, afirmou Saleh. “A situação está tão ruim quando nos últimos meses.”

No subúrbio de Douma, perto de Damasco, tropas realizaram mais ataques e prisões nesta quarta-feira, informou o ativista Mohammed Saeed.

Pelo menos 80 pessoas, a maioria civis, foram mortas na terça-feira, segundo monitores. Segundo o Observatório, 58 civis morreram, dentre eles 20 que perderam a vida em ações militares e confrontos entre tropas e rebeldes na região de Taftanaz, localizada na província de Idlib. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.