O ministro de Interior do Egito, Habib al-Adly, foi substituído pelo contestado presidente Hosni Mubarak, informou hoje a imprensa estatal. Segundo a TV estatal, a substituição está de acordo com as exigências dos manifestantes que protestam pelo país. O novo ministro de Interior, encarregado de cuidar das forças internas de segurança, é o general reformado da polícia Mahmoud Wagdi.

Mubarak tomou hoje o juramento de seu novo gabinete. O presidente manteve seu ministro de Defesa, Hussein Tantawi, e o ministro das Relações Exteriores, Ahmed Abul Gheit. É pouco provável que as mudanças no governo satisfaçam as dezenas de milhares de manifestantes que saem às ruas das cidades do país desde a semana passada, exigindo o fim do governo de Mubarak.

O presidente anunciou, na sexta-feira, a dissolução do governo anterior e designou como vice-presidente seu chefe de inteligência, Omar Suleiman. Os manifestantes rechaçaram a mudança, vendo-a como uma tentativa de Mubarak de se firmar no poder, após três décadas de presidência.

A nova composição do conselho de ministros, anunciada pela TV estatal, inclui nomes que tradicionalmente apoiam o presidente. Vários empresários importantes, porém, foram retirados dos cargos econômicos que ocupavam. Esses nomes eram responsáveis pelas políticas econômicas liberais do país nas últimas décadas.

Muitos egípcios protestam contra a influência dos políticos e magnatas milionários, aliados próximos do filho do presidente, Gamal Mubarak, visto há tempos como herdeiro aparente da presidência. Os bancos, escolas e a Bolsa de Valores do Cairo estão fechados. Havia grandes filas nas padarias, em um esforço da população para comprar pão, principal fonte de alimento para muitos egípcios.

Também hoje, a TV estatal informou que o governo cancelou todos os trens pelo país, após os manifestantes prometerem organizar amanhã uma “marcha de um milhão” para pedir o fim da administração Mubarak. Não está claro até quando podem ocorrer os cancelamentos no transporte ferroviário. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.