O presidente do Egito, Hosni Mubarak, advertiu hoje o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para que não seja lançada uma nova guerra na Faixa de Gaza. Os dois líderes se encontraram para tentar romper o impasse nas negociações de paz no Oriente Médio.

Os comentários de Mubarak foram feitos durante conversas na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, que ocorreram após várias semanas de crescentes tensões e confrontos na fronteira israelense com o enclave palestino. No encontro, o líder egípcio advertiu para o “risco das recentes ameaças israelenses e suas repercussões para a estabilidade e segurança da região e a causa da paz no Oriente Médio”, segundo a agência estatal MENA. “Mubarak afirmou a rejeição do Egito a qualquer nova ofensiva em Gaza”.

Altos funcionários israelenses advertiram nas últimas semanas para o fato de Israel poder lançar um novo ataque a Gaza, como a guerra de 22 dias encerrada em janeiro de 2009. A ofensiva matou 1.400 palestinos, a metade deles civis, e 13 israelenses, dos quais dez eram soldados.

Após a guerra, o número de foguetes lançados no território israelense caiu bastante. Ainda assim, 230 foguetes e morteiros caíram em Israel no ano passado, segundo o Exército israelense. No mês passado, o vice-premiê de Israel, Silvan Shalom, disse que o país pode ser forçado a “responder com toda força” se militantes de Gaza dispararem foguetes. A advertência foi feita apesar da queda no número de foguetes disparados e dos ataques aéreos retaliatórios já realizados pelos israelenses em Gaza.

Morte

No fim do dia de ontem, tropas israelenses mataram a tiros dois palestinos que, aparentemente, tentavam romper uma cerca para passar para o lado vizinho. Mubarak também advertiu o líder israelense para o impacto do aumento na violência para o congelado processo de paz com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

As conversas diretas entre Netanyahu e Abbas estão paralisadas desde setembro, quando Israel se recusou a renovar uma moratória a construções em assentamentos na Cisjordânia. Os palestinos se recusam a negociar enquanto Israel segue construindo nas terras que eles querem como parte de seu futuro Estado independente.

Um comunicado do escritório de Netanyahu descreveu o encontro com Mubarak como “amigável e abrangente”. Netanyahu ressaltou o papel central do Egito para o avanço no processo de paz e pediu que Mubarak faça pressão sobre os palestinos para estes voltarem a “negociações sérias, diretas e intensivas”, diz o texto.

Netanyahu também falou com Mubarak sobre a cerca que Israel constrói na fronteira egípcia, a fim de interromper a chegada de imigrantes africanos ilegais no território israelense. As informações são da Dow Jones.