A maioria dos israelenses considera “alta” ou “média” a possibilidade de uma guerra entre seu país e o Irã no próximo ano e a metade deles temem pela continuidade da existência de Israel se esse conflito chegar a acontecer, segundo uma pesquisa publicada nesta quinta-feira pelo jornal “Haaretz”.

Apenas um quarto dos entrevistados assegura não temer pelo futuro do Estado de Israel no caso de uma guerra com o Irã, o que o jornal destaca como um dado ilustrativo da queda da tradicional autoconfiança israelense.

A pesquisa, realizada no início desta semana pela Universidade de Tel Aviv, foi publicada no dia em que se aguardam duras palavras em relação ao Irã por parte do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em seu discurso de hoje na Assembleia Geral da ONU.

Netanyahu qualificou na noite desta quarta-feira o discurso horas antes na Assembleia do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de “dia negro” para “aqueles que decidiram permanecer na sala e escutar suas palavras de ódio”.

Também o presidente israelense, Shimon Peres, considerou que o discurso de Ahmadinejad foi “vergonhoso e uma amostra de sua profunda ignorância da história” e anunciou que enviará uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “com uma lição de história para o presidente iraniano”.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, disse que Netanyahu deve apresentar na ONU a posição israelense frente ao Irã “da forma mais clara”.

“Nossa posição não coincide sempre com a norte-americana, mas não é a primeira vez que há desacordos”, assinalou Lieberman. O presidente iraniano atacou na ONU Israel, país ao qual se referiu como “os sionistas incivilizados”, por ameaçar o Irã com uma ação militar que demonstra “a corrida armamentista e de intimidação” que “as potências hegemônicas” realizam.

“A contínua ameaça dos sionistas incivilizados de recorrer a uma ação militar contra nossa grande nação é um claro exemplo da amarga realidade atual”, disse o líder iraniano no segundo dia de debates da 67ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Netanyahu centrará hoje seu discurso perante o plenário das Nações Unidas no que considera a ameaça “existencial” para Israel de que o Irã adquira armamento nuclear e na necessidade de fixar “linhas vermelhas” que esse país não possa traspassar.