O início da guerra no Iraque trouxe ao primeiro plano o trabalho dos novos canais de TV via satélite árabes, que competem com a rede Al-Jazeera do Qatar por um público de 300 milhões de espectadores, entre acusações de sensacionalismo, censura e parcialidade.

A Abu Dhabi TV, sediada nos Emirados Arabes Unidos, e a Al Arabiyya, de Dubai, despontam como principais alternativas à Al-Jazeera, que em 2001 teve o virtual monopólio da cobertura árabe das operações americanas no Afeganistão. Além das três redes, o quarto competidor, de menor envergadura, é a Lebanese Broadcasting Corporation (LBC), que integra o grupo do jornal internacional árabe “Al Hayat”, de propriedade saudita.

Se em 1991 o público árabe viu-se obrigado a assistir à rede americana CNN para acompanhar a primeira Guerra do Golfo, agora dispõe de maior liberdade de escolha. As redes árabes, além disso, apresentam uma cobertura bem diferente das TVs ocidentais, pois enquanto a CNN ou a britânica BBC exibem imagens de soldados da coalizão anglo-americana, a Al Arabiyya e a Al-Jazeera mostram mulheres e crianças iraquianas feridas e cadáveres carbonizados de pessoas mortas nos bombardeios.

“Nosso trabalho é informar os fatos, quaisquer que sejam, e não ocultá-los para agradar alguém”, declarou Jihad Ali Ballout, assessor de relações públicas da Al-Jazeera. Nartn Bouran, diretor do Departamento de Notícias da Abu Dhabi TV, afirmou que “não nos dirigimos só ao público árabe, mas a todos que querem ver um quadro objetivo do que está ocorrendo”.