Em uma manobra de bastidores liderada pelo Brasil, diplomatas ligados ao presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, foram expulsos ontem de uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Por trás do episódio – que levou a um impasse de quase um dia na sede de Genebra da organização – estava a batalha envolvendo o reconhecimento internacional do governo golpista.

O Brasil e países latino-americanos se recusavam a deixar a reunião do órgão começar com o embaixador hondurenho Delmo Urbizo, pró-Michelleti, na sala. Já o diplomata afirmava ser o representante de um governo legítimo, insistindo que não sairia da sala. No fim do dia, entre gritos e bate-bocas nos corredores e salas da entidade, Urbizo foi acompanhado por seguranças para fora da reunião.

Legalmente, o encontro foi apenas suspenso a pedido do Brasil. A participação do diplomata pró-Michelleti na organização será avaliada por assessores legais em Nova York. A ONU afirma que ainda não expulsou Urbizo e uma posição oficial deve ser anunciada hoje. O hondurenho, porém, foi impedido de retornar à sala e vários diplomatas consideraram a expulsão como fato consumado. “Fui expulso. Colocaram até guardas para me retirar”, reconheceu ao Estado Urbizo.

‘Fui hostilizado pelo Brasil’

Inconformado, o hondurenho causou tumulto. “Nós voltaremos”, gritou o embaixador aos diplomatas na sala, ao ver que seu microfone tinha sido cortado. Urbizo disse que retornará à ONU após as eleições hondurenhas, marcadas para novembro. “Vão ter de tragar tudo o que disseram. Vão ter de engolir isso. Vou voltar e os colocar em seu lugar”, disse, em referência ao presidente deposto, Manuel Zelaya. Ele responsabilizou diplomatas brasileiros pela manobra. “Fui hostilizado, especialmente pelo Brasil”, acusou. O Itamaraty admitiu que a manobra tinha o apoio velado da Casa Branca.