Após dez anos no comando do governo britânico, o primeiro-ministro Tony Blair se despediu hoje do poder, passando o bastão para Gordon Brown, que aguardou ansiosamente desde 1997 no cargo de chanceler essa oportunidade. Como é de praxe nessas ocasiões, um forte cerimonial marcou essa transferência do poder. Ele incluiu uma audiência com a rainha Elizabeth II no palácio de Buckingham, na qual Blair formalizou a sua renúncia. Mas o evento mais marcante foi a sessão no Parlamento.

Num ato inédito na história contemporânea do Reino Unido, todos os parlamentares, inclusive do Partido Conservador, de oposição, ovacionaram o primeiro-ministro, que estava acompanhado da esposa Cherie, e dos quatro filhos.

Visivelmente emocionado, Blair demonstrou mais uma vez sua habilidade retórica, com tiradas de bom humor e ressaltando o que considera como grandes progressos obtidos durante sua liderança, como a conclusão do processo de paz na Irlanda do Norte, o excelente desempenho da economia britânica, e o fortalecimento dos serviços públicos do país.

Ao contrário do que se era esperado, nem mesmo o líder conservador, David Cameron, dirigiu críticas a Blair. Ao contrário, o tory elogiou o oponente pelo "notável feito de ter sido primeiro-ministro por dez anos" e desejou boa sorte para Blair e sua família. Mas mesmo nessa despedida, o fantasma que antecipou a saída de Balir do poder e que deve perseguí-lo ainda por um bom tempo, a guerra no Iraque, esteve presente. O primeiro-ministro voltou a defender a participação do país na queda do regime de Saddam Hussein e na reconstrução do Iraque. E fez uma homenagem aos militares britânicos que morreram no conflito.