O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse nesta terça-feira que os Estados Unidos precisarão do consentimento de Seul antes de tomar qualquer ação militar na Península da Coreia, e reforçou os pedidos de negociação com seu vizinho do Norte. A declaração aconteceu após Pyongyang desistir do plano de atacar o território americano de Guam com mísseis.

“Nunca mais deverá irromper uma guerra na Península da Coreia. Só a República da Coreia poderá decidir por uma ação militar”, disse Jae-in, usando o nome formal da Coreia do Sul. A embaixada dos EUA em Seul se recusou a comentar o discurso e não houve reação imediata da imprensa estatal norte-coreana.

As declarações de Jae-in foram feitas em meio a preocupações de que a Coreia do Sul está sendo deixada de lado nas rusgas entre os EUA e o líder norte-coreano Kim Jong-un. Elas também refletem as inquietações de que a Coreia do Sul, e, especificamente, sua capital, poderiam arcar com o peso do poder de fogo da Coreia do Norte no caso de um conflito armado.

A fala também gerou temores relacionados à relação entre Coreia do Sul e EUA. No passado, Jae-in já disse que o exército sul-coreano deveria retomar o controle operacional de suas forças sob condições de guerra. Na aliança entre Washington e Seul, os EUA assumem a operação do exército sul-coreano numa guerra.

“Nós não podemos contar com nosso aliado para fazer nossa segurança”, disse Jae-in. “Quando se trata de assuntos relacionados à Península da Coreia, nosso país tem de tomar a iniciativa de resolvê-los”.

Durante discurso em homenagem ao 72º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, Jae-in estendeu a bandeira de paz mais uma vez à Coreia do Norte, pedindo que o regime volte ao diálogo. Ele também convidou o país para participar dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecem na Coreia do Sul. Fonte: Dow Jones Newswires.