O governo do Paquistão cancelou hoje um recente aumento dos preços dos combustíveis, após os protestos da população e de vários partidos de oposição. A decisão de anular a medida, anunciada no dia 31 de dezembro, foi divulgada hoje ao Parlamento pelo primeiro-ministro, Yousuf Raza Gilani. O governo voltou atrás após um importante partido aliado deixar a coalizão, colocando em xeque a atual administração.

Na semana passada, o Partido do Povo Paquistanês perdeu a maioria na Assembleia Nacional após a saída da coalizão do Movimento Muttahida Qaumi. O partido alegou que a decisão de elevar os preços dos combustíveis elevaria a inflação e atingiria os cidadãos comuns. Na terça-feira, a Liga Paquistanesa Muçulmana, o maior partido de oposição do país – liderado pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif – disse que apresentaria uma moção de desconfiança na Assembleia Nacional a menos que o governo concordasse em reduzir seus gastos, tomasse medidas contra a corrupção e voltasse atrás na questão do aumento dos combustíveis.

Com a nova decisão de manter inalterados os preços dos derivados de petróleo, o governo terá de decidir como lidar com o subsídio a esses produtos, que soma 4,7 bilhões de rupias por mês. A demanda por combustíveis no país é de cerca de 20 milhões de toneladas por ano, ou 400 mil barris por dia, dos quais apenas 13% são fornecidos internamente. O Paquistão importa petróleo bruto e produtos refinados para atender às suas necessidades. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.