Após passarem a manhã e a tarde reunidos à mesa de negociação, representantes do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya e do governo de facto de Roberto Micheletti anunciaram um avanço “em 90%” nos oito temas fundamentais previstos pelo Pacto de San José. Porém, a referência quantitativa é enganosa. Entre os “10%” que restam está o ponto nevrálgico do diálogo: a volta de Zelaya à presidência hondurenha.

Vilma Morales, principal negociadora do campo golpista, disse que a restituição foi abordada nos debates de ontem e continuará a ser discutida hoje. “Seguiremos negociando”, afirmou. Sexta-feira é a data-limite imposta pelo presidente deposto para qualquer acordo. Otimista, o representante de Zelaya Victor Mesa disse esperar para hoje “muitas possibilidades êxito no restante do texto” do acordo. Formulado pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias, o Pacto de San José tem 12 pontos, dos quais oito são fundamentais e quatro são de ordem regimental.

Também ontem, a possibilidade de uma consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte nos próximos meses foi definitivamente descartada. Isso porque representantes de Zelaya concordaram em se submeter ao quinto ponto do texto proposto por Arias, segundo o qual o presidente deposto não poderá abrir caminho para uma constituinte caso retorne ao poder.

Até agora, os opositores hondurenhos entraram em acordo publicamente sobre cinco temas principais. Ambos os lados aceitam um governo de união nacional e a submissão do Exército ao Tribunal Eleitoral na época de votação. As facções também recusam uma anistia geral, a antecipação das eleições e a consulta popular.