Rio (AE) – O presidente da escola de samba Unidos do Viradouro, José Carlos Monassa, morreu na madrugada de hoje (28) de hemorragia provocada por uma úlcera estomacal. Ele tinha 65 anos. O corpo foi velado na quadra da escola por cerca de 500 pessoas e enterrado hoje à tarde no cemitério Parque da Colina, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Além da presença da cúpula do jogo do bicho no Estado – Monassa controlava as apostas em Niterói e São Gonçalo-, o cortejo foi acompanhado por celebridades como a modelo Luma de Oliveira, madrinha da bateria da escola por cinco anos, e a triatleta Fernanda Keller.

Monassa era diabético e tinha problemas de saúde havia alguns anos. Ele passou mal em casa, ontem (28) à noite, e foi socorrido no Hospital Santa Cruz (Niterói), onde morreu à 1h50. Segundo amigos, há dias não se sentia bem.

O anúncio de sua morte foi feito na quadra da escola ainda de madrugada, durante uma eliminatória para a escolha do samba-enredo de 2006. O concurso foi suspenso. Sua mulher, Fátima Monassa, passou mal e deixou a sede da escola amparada por amigos. A emoção e carinho dos parentes, amigos, ritmistas e passistas da escola marcou o velório e o enterro do bicheiro, que foi realizado sob o coro do samba-enredo de 1998, cujo refrão é "Tristeza não tem fim, felicidade, sim".

Apesar de Monassa ter demitido Luma de Oliveira do cargo de madrinha da bateria porque ela faltava muito aos ensaios, a musa chorou muito a morte do amigo. "Passei por uma fase difícil com a morte da minha mãe e minha separação, e nesse período, o Monassa me ajudou muito", disse ela, acrescentando que mesmo após sua saída da escola mantinha contato com o presidente da vermelha e branca de Niterói.

O diretor de bateria da escola, Mestre Ciça, que recebeu a notícia pelo alto-falante da quadra da escola, também estava muito abalado. "Perdi meu chão. Monassa era um grande amigo. Apesar de nos conhecermos há uns sete anos, era como se fôssemos amigos há mais tempo", disse ele.

Trajetória – José Carlos Monassa era advogado e procurador da Câmara de Niterói. Como presidente da escola desde 1987, reestruturou a Unidos do Viradouro, que antes só desfilava em Niterói, e a transformou numa das grandes escolas do Grupo Especial para desfilar do Rio. A escola conquistou, em 1997, o título de campeão do Carnaval carioca com o enredo "Trevas! Luz! A Explosão do Universo", desbancando escolas tradicionais. Um dos exemplos da disciplina que procurou impor à escola foi o afastamento de Luma, que substituiu pela atriz Juliana Paes.

Monassa foi apontado como pivô da prisão preventiva de 14 bicheiros condenados em maio de 1993 pela então juíza Denise Frossard, hoje deputada federal. Na ocasião, o presidente da Viradouro foi ao fórum prestar solidariedade aos banqueiros acusados de homicídios e formação de quadrilha, acompanhado de um segurança armado. Denise Frossard mandou prender o segurança e decretou a prisão preventiva dos contraventores por se considerar desrespeitada pela presença de um segurança dos réus no fórum. Os banqueiros foram condenados e Monassa foi denunciado por envolvimento com os contraventores condenados.

Casado, Monassa perdeu em 1998 seu único filho, Pedro Leon Monassa Bessil, apontado como seu sucessor. O rapaz foi atropelado por um ônibus. Durante o enterro, dava-se como certo que a Viradouro apresentará na Sapucaí no próximo Carnaval uma grande homenagem ao seu presidente. A escola irá apresentar o enredo "Arquitetando Folias", sobre a história da arquitetura no Brasil, e espera contar com a participação do arquiteto Oscar Niemeyer.