O ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, disse hoje, em São Paulo, que está pronto a se explicar e se defender, caso tenho o nome citado como envolvido em algum dos esquemas apurados pelas comissões parlamentares de inquérito (CPI). "

Eu não temo que meu nome apareça nos escândalos, pois quem não deve não teme. Não há razão alguma para eu receber financiamento porque não era nem candidato", afirmou, referindo-se ao suposto caixa dois envolvendo o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), do qual Guia foi vice-governador até dezembro de 1998.

Ele afirmou que Azeredo é um "homem de vida limpa e ilibado" e que "todo mundo" sabe que, "nas campanhas para eleições majoritárias, os coordenadores têm liberdade para agir".

Guia reiterou que nunca esteve em qualquer reunião para distribuição de dinheiro do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, suposto operador do "mensalão", para terceiros.

O ministro do Turismo afirmou ainda que, quando soube do esquema da mesada, informado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), rechaçou que o PTB participasse e ameaçou deixar o partido, "pois não teria condição de continuar na função".

Para Guia, o fato de um único deputado da legenda, no caso, Jefferson, ter feito a denúncia, não impede que ele prossiga no ministério. "O deputado Jefferson fala do esquema do ‘mensalão’, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o qual ele disse ter passado ao largo da operação."

Segundo o ministro, o presidente nacional do PSDB negou que ele tivesse qualquer envolvimento com a campanha. "A única coisa que fiz, em nome do governador mineiro, foi uma lista de itens de campanha, com valores estimados, em junho de 1998."

Guia reiterou que não tem envolvimento de qualquer natureza com a mesada ou com financiamento de campanha. O ministro ficou irritado com a insistência dos jornalista, ao questionarem se ele estaria constrangido de estar no governo e ter o nome mencionado no escândalo.

"Os fatos não justificam a pergunta como esta", afirmou Guia, que se reuniu com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para analisar a perspectiva do turismo no Brasil.