Brasília – O mercado financeiro manteve a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) continuará em janeiro a promover cortes de apenas 0,50 ponto porcentual na taxa de juros – e não de 0,75 ponto porcentual, como defenderam dois diretores do Banco Central na última reunião do colegiado, na semana passada. O consenso contido em pesquisa semanal do Banco Central (BC) divulgada hoje (18) é visto com discordância, no entanto, pelo economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas. "Seria uma incoerência manter a velocidade de queda dos juros e continuar a comprar dólares em mercado como o BC vem fazendo nos últimos dias", disse.

O ideal, na visão do economista e professor do Ibmec do Rio de Janeiro, seria o Copom promover um corte mais rápido dos juros e sinalizar a intenção de manter no longo prazo a tendência de flexibilização da política monetária. "Do contrário veremos que a valorização do real frente ao dólar verificada nos últimos dias será de fôlego curto", comentou Thadeu de Freitas. Ele admite, no entanto, que o Copom poderá manter o ritmo de quedas em 0,50 ponto porcentual na reunião de janeiro. "Se levarmos em conta apenas a ata da reunião de novembro, a taxa cairá apenas 0,50 ponto porcentual mesmo", disse.

A mudança de perspectiva quanto ao tamanho dos cortes futuros de juros, segundo Thadeu de Freitas, poderá vir com a divulgação, na quinta-feira, da ata da reunião da semana passada quando os juros foram reduzidos de 18,50% para 18% ao ano. "O fato de ter havido divisão na decisão da semana foi importante. Mas esperamos ter informações mais claras com a ata da reunião da semana passada", disse. A divisão na decisão levou muitos analistas de mercado a passar a esperar por uma queda de 0,75 ponto porcentual dos juros no primeiro mês do próximo ano.

A inflação, na opinião do economista da CNC, não vem apresentando causando preocupação. "Para 2006, poderemos ter uma inflação medida pelo IPCA de 4% a 4,5%", disse. No próximo ano, a meta central de inflação já foi fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 4,5% com intervalo de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Os preços administrados, na opinião de Thadeu de Freitas, funcionarão como uma âncora dos preços no próximo ano. "Poderemos ter uma situação em que, pela primeira vez, teremos os preços livres como os vilões da inflação", disse.

As previsões do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano continuaram a cair na pesquisa do BC e recuaram de 2,52% para 2,48%. Para alguns analistas, o porcentual poderá ser reduzido na próxima semana. "É possível que as projeções se aproximem da marca dos 2,3%", disse um analista de mercado. Apesar disso, as expectativas para o aumento do PIB em 2006 mão foram contaminadas pela elevação do pessimismo para este ano e continuaram estáveis em 3,50%. Na visão de alguns analistas, a taxa de expansão do PIB poderá até ultrapassar os 3,50% e chegar a marca dos 4%.