Manaus – A Iniciativa para Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-americana (Iirsa) existe há seis anos, mas só hoje (12) o governo federal promoveu a primeira reunião para debater o modelo de desenvolvimento proposto pelo programa com a academia, o setor produtivo e a sociedade civil organizada.

A chamada Oficina Norte, organizada em Manaus pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, encerra as reuniões regionais da primeira rodada de consultas estratégicas iniciadas em novembro do ano passado ? os outros encontros se realizaram no Rio de Janeiro (RJ), em Campo Grande (MS) e em Foz do Iguaçu (PR).

"O formato já está pronto ? nem a sociedade nem os governos estaduais participaram da sua elaboração", criticou o representante da Rede Brasileira sobre Instituições Financeiras Multilaterais e da Rede Brasileira para Integração dos Povos, Guilherme Carvalho. "Os planejamentos estaduais se tornam obsoletos porque as decisões das grandes obras já foram tomadas", acrescentou.

A Iirsa é resultado da primeira reunião de presidentes da América do Sul, realizada em Brasília, em 2000. Coordenada pelos 12 países do continente, é financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pela Corporação Andina de Fomento (CAF) e pelo Fondo Financiero para el Desarrollo (Flonplata). A previsão, até 2010, é de investimentos de US$ 5,2 bilhões em 28 projetos de transportes, dois de comunicações e um de energia.

"A integração física vem antes da econômica e da cultural. Sem ela, as outras não fazem sentido", defendeu o secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, Ariel Pares. "Nós já temos 1% dessas obras em execução. Um exemplo é a BR-317 [ a chamada rodovia intercontinental, que ligará o Acre ao Oceano Pacífico, via Peru e Bolívia ]", lembrou Pares, que está na coordenação nacional da Iirsa desde o início do programa.

Os governos, sustentou, tinham necessidade de dialogar reservadamente entre si, antes de abrir o debate à sociedade. "As equipes técnicas representam governos legítimos e democraticamente eleitos. A Iirsa não é uma relação de obras, é um projeto de desenvolvimento", acrescentou.

Para a secretária estadual de Planejamento do Pará, Marília Sanchez, entretanto, o Brasil carece de uma política nacional de integração regional. "Não temos, por exemplo, um Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. E ele não sai porque não interessa ao Centro-Sul do país", concordou Carvalho.

As considerações feitas nessa rodada de consultas serão apresentadas na próxima reunião da coordenação da Iirsa, prevista para o dia 29, na Argentina.