Israel indicou hoje que irá expandir sua ofensiva terrestre no sul do Líbano nos próximos dias caso o processo diplomático para a imposição de um cessar-fogo na região não avance. Com cerca de 10 mil soldados já posicionados no Líbano, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, vem sendo pressionado para enviar mais tropas para região em uma tentativa final de empurrar o Hezbollah para longe da fronteira. Os defensores de uma ampliação da ofensiva também argumentam que um recrudescimento das operações israelenses servirá de alerta para todos os países que possuem pretensões de atacar Israel.

A decisão acontece no mesmo dia em que uma nova arma do Hezbollah foi identificada por Israel. Trata-se de uma aeronave não tripulada, capaz de carregar explosivos poderosos e guiada por um preciso sistema de mira eletrônica.

Na frente de batalha no sul do Líbano, três soldados israelenses foram mortos em combates contra os guerrilheiros. As três baixas aconteceram próximas a cidade de Bint Jbail, teatro dos combates mais intensos desde o início do conflito, há 27 dias. Outros cinco civis israelenses ficaram feridos vítimas de ataques com foguetes pelo Hezbollah. Ao menos 160 projéteis foram lançados pelos guerrilheiros hoje.

No começo do dia, Olmert e o ministro da defesa israelense, Amir Peretz, viajaram ao norte do país, onde se encontraram com comandantes do Exército. Depois do giro, Peretz abriu a reunião do Comitê de Assuntos Externos e Defesa do parlamento israelense. "Se o processo diplomático não chegar a uma conclusão nos próximos dias, minha ordem é ampliar as operações para que tomemos controle dos locais de lançamento de foguetes", afirmou o ministro em seu discurso.

Em Nova York, diplomatas da ONU trabalham na revisão de um rascunho de resolução do Conselho de Segurança cujo objetivo é impor um cessar imediato nas hostilidades. O texto original, firmado neste final de semana pelos Estados Unidos e a França, foi rejeitado pela maioria dos países árabes pois não obriga a retirada das forças israelenses que estão no Líbano.

O ministro da Justiça israelense, Haim Ramon, disse ter reservas em relação a proposta, mas informou que Israel irá aceitá-la. Ainda assim, ele negou a possibilidade de retirada do Líbano antes que uma força internacional seja enviada para a região. "No momento em que sairmos, o Hezbollah retornará. E nenhuma força multinacional chegará", disse.

Em uma aparente tentativa de reverter este quadro, o governo libanês anunciou que enviará 15 mil soldados para o sul do Líbano assim que as tropas israelenses se retirarem da região. Segundo o ministro da Informação libanês, Ghazi Aridi, "o governo está pronto para enviar 15 mil homens (para o sul do Líbano) assim que as forças de ocupação se retirarem para além da linha azul". Ainda de acordo com Aridi, a decisão é um passo em direção ao fim da violência. "O Exército está pronto e não estamos fazendo declarações sem fundamento", disse.