Os reajustes dos combustíveis deverão ter forte impacto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, meta de inflação do governo), que deverá registrar em novembro a maior alta do ano.

A expectativa de economistas é que a inflação medida pelo índice fique em torno de 1,5% no mês, resultado superior ao de julho (1,19%), quando os aumentos dos preços administrados provocaram a maior alta inflacionária do ano até o momento. Além dos impactos previstos para os preços ao consumidor, haverá também efeitos no atacado.

O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ e membro do conselho consultivo do IPCA, disse que o impacto dos reajustes na inflação estará concentrado em novembro, com efeitos ?apenas marginais? em dezembro. Ele projeta um IPCA em torno de 1,5% em novembro, e desse total 0,58 ponto porcentual será impacto direto do reajuste da gasolina (0,36 ponto porcentual), do GLP (0,21) e do diesel (0,01). Os cálculos levam em conta um repasse de 9% para os consumidores do aumento de 12,09% da gasolina nas refinarias, conforme estimado pela Petrobras.

Marcela Prada, da Tendências Consultoria, calcula que os reajustes dos combustíveis terão um impacto total de 0,68 ponto porcentual no IPCA, que ?não será menor de 1%? em novembro. Segundo ela, a maior parte desse impacto ocorrerá no índice deste mês, já que os reajustes passam a vigorar a partir do início da próxima semana.

Marcela espera um ?resultado bem forte? para a inflação de novembro, que sofrerá também impacto do aumento de energia elétrica no Rio de Janeiro e das pressões do dólar sobre os preços livres. As contas da economista para o cálculo do impacto do reajuste da gasolina no IPCA projetam um repasse de 9 7% para o consumidor. No caso do GLP, a projeção é de um repasse de 16% para o consumidor do reajuste de 22,8% nas refinarias.

Já o Índice de Preços do Atacado (IPA), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sofrerá um impacto de 1,47 ponto porcentual em novembro, como resultado do reajuste dos combustíveis. As contas foram feitas pelo economista Artur Sobrinho Sanches, um dos responsáveis pelo índice. Segundo ele, o impacto estará assim dividido: gasolina (0,23 ponto porcentual); diesel (0,84); GLP (0,13); querosene de aviação (0 07) e óleo combustível (0,20).

Sanches explicou, entretanto, que o impacto integral do aumento no mês será verificado apenas no IPA Disponibilidade Interna (IPA-DI), que compõe o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), cujo período de coleta é o mês cheio.

No caso do IPA-M, parte do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), o impacto deverá ocorrer apenas em cerca de 15 dias da coleta, que ocorre entre o último dia 21 de outubro e 20 de novembro. Os aumentos de preços no atacado vêm registrando sucessivos recordes nos últimos três meses, sob pressão da alta do dólar.