A indústria paranaense mostrou sinais de recuperação em fevereiro, de acordo com os indicadores conjunturais divulgados ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), com base em dados do IBGE, Fiep, Copel, Ministério do Trabalho e Secretaria de Comércio Exterior. Na comparação de fevereiro com janeiro, houve crescimento de 0,84% no nível de emprego formal, significando abertura de 3.445 vagas -sendo 91% no interior do Estado. O setor que mais empregou foi o alimentício (1.290 vagas), seguido de madeira e mobiliário (521), borracha, fumo e couros (324) e têxtil e vestuário (303).

Apesar do recuo de 2,45% na produção industrial de fevereiro sobre janeiro, as vendas reais avançaram 15,02%, as compras reais diminuíram 0,62%, as exportações (em US$ FOB) cresceram 8,81% e o consumo de energia teve ampliação de 2,83%. A folha de pagamento média subiu 0,77%, enquanto o número de horas pagas caiu 0,64%. “Os resultados são melhores que os do ano passado, mas ainda não há crescimento sustentado, porque o desempenho está muito puxado pelas exportações”, analisa o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese.

“O mercado interno tem respondido pouco por causa da queda na renda e das altas taxas de juros”, considera. No segundo semestre, Cordeiro acredita que as exportações não influirão com tanta força no comportamento da indústria, já que a base de comparação será mais elevada, em função da valorização do dólar no segundo semestre de 2002.

Na comparação com fevereiro de 2002, houve incremento de 9,00% na produção, 6,02% nas vendas, 20,07% nas compras, 0,33% no consumo de energia e 26,55% no valor exportado. Houve redução na folha de pagamento (-7,11%), mas o número de horas pagas foi 1,27% maior. “Vários indicadores apontam para a recuperação industrial”, assinala o economista Sandro Silva, do Dieese. “O fator negativo é a queda da folha de pagamento, em função do pouco crescimento da economia e do aumento do desemprego”.