O Palácio do Planalto desencadeou uma operação para abafar a criação da CPI do Apagão no Senado. Os governistas temem o poder de fogo provocado por uma investigação realizada pelo Senado. Por isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinal verde para os líderes governistas negociarem a instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara.

Com maioria folgada na Câmara, os governistas chegaram à conclusão de que é mais fácil controlar uma comissão de inquérito formada exclusivamente por deputados. Uma das propostas é instalar a CPI na Câmara antes da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá analisar até o fim do mês o pedido da oposição de criação da comissão de inquérito. "Uma CPI é ruim, duas é pior, três é muito mais, quatro mais ainda. Todo o Executivo sabe que CPI atrapalha", disse o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE).

No Senado, já foram recolhidas 28 assinaturas para a criação da CPI do Apagão Aéreo. Mas os líderes partidários de oposição alegam que querem ter 35 assinaturas, antes de apresentar o requerimento para a criação da CPI. Os oposicionistas pretendem, no entanto, pedir a abertura de investigação somente se a Câmara não instalar a CPI, que está na dependência de decisão do Supremo.

"Se houver qualquer tipo de entendimento entre os líderes da Câmara, a CPI se instalará sem ouvir o Supremo", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). "Se puder, é melhor a CPI ficar na Câmara. Não precisa contaminar o Senado Federal por um assunto que começou na Câmara", completou Jucá, depois de reunir-se com o presidente Lula.

José Múcio, que também participou do encontro com Lula, admitiu que é melhor a CPI funcionar na Câmara. "A CPI sempre se transforma em palanque político. Mas nós temos condições mais favoráveis na Câmara. Os líderes partidários alertaram que aqui (Câmara) seria mais fácil", disse José Múcio. "É uma questão de aritmética; não é política", argumentou o líder, ao ser perguntado se o governo tem mais poder controle sobre uma CPI na Câmara do que no Senado.