Os líderes do governo no Senado, Romero Jucá, e na Câmara, José Múcio, após se reunirem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro-chefe das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, no Planalto, disseram que o governo não vai interferir no processo de instalação da CPI do Apagão Aéreo, alegando que este é um problema do Congresso. Ambos ainda repetiram o mesmo discurso, de que "nenhum governo gosta de CPI" e de que "elas atrapalham as votações".

"A preocupação do presidente Lula é com a quebra da normalidade no Congresso Nacional", disse o senador Romero Jucá. Segundo ele "o presidente também não quer CPI porque ela atrapalha a votação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)". Ele ressaltou que "o governo não quer CPI como qualquer governo, seja ele governo federal, municipal ou estadual, porque CPI é um fato estranho".

Jucá assegurou ainda que o governo não vai interferir de alguma forma, nem vai fazer nenhum tipo de manobra para evitar que ela se instale, acentuando que o Congresso é que vai definir se vai ter CPI e onde vai ter. E avisou: "O governo não tem medo de CPI".

O líder do governo na Câmara, José Múcio, repetiu o discurso de Jucá, citando até os mesmos estados governados pelos tucanos, para dizer que eles também não querem instalação de CPI para atrapalhar suas administrações. "Qualquer chefe de Executivo sabe que o problema da CPI não é o foco. O problema da CPI é o palanque". José Múcio insistiu que, no caso da Câmara, a decisão sobre a instalação está nas mãos do Supremo Tribunal Federal.

CPI no Senado

Questionado se não era pior deixar a CPI do apagão aéreo se instalar no Senado, onde o governo tem minoria, o deputado José Múcio respondeu: "Pior é pior em qualquer canto". E sobre a possibilidade de funcionarem duas CPIs, uma na Câmara, outra no Senado, afirmou: "Uma CPI é ruim, duas é pior, três é muito mais quatro mais ainda. Todo o Executivo sabe que CPI atrapalha"