O secretário do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Luiz Gushiken, disse que não foi consultado sobre investimentos em fundos de pensão.

"Como governo, não houve necessidade de nenhuma interferência da minha parte. E se me pedissem sugestões, daria com todo prazer. Não vejo nenhum mal nisso", disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios.

Gushiken disse que mantém uma ligação antiga com os fundos de pensão e teve contato freqüente com dirigentes de três deles. Segundo ele, é uma "absoluta insanidade técnica" e "fantasia" dizer que ele interferia nos fundos para desviar recursos públicos. "Fundos não podem ser objeto de manipulação de interesses privados", afirmou.

A CPI pediu a quebra dos sigilos bancários de três fundos de pensão para obter dados referentes aos investimentos nos bancos BMG e Rural ? nos quais o empresário Marcos Valério de Souza tinha conta. Dessas contas, foram feitos saques por parlamentares ou assessores, que estão sendo investigados pela comissão. Os parlamentares querem verificar se os fundos realizaram algum investimento nesses bancos, o que poderia ser uma forma de recompensa pelos pagamentos feitos por Marcos Valério.

A CPI também investiga se a Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica (Secom) teria favorecido empresas de Marcos Valério em contratos de publicidade. A secretaria foi chefiada por Gushiken até julho deste ano.

Gushiken afirmou aos parlamentares que a Secom não pode definir valores das contas de publicidade de um órgão estatal, mas segundo ele, de acordo com a legislação, contratos de licitação passam pelo órgão. Afirmou também que o órgão não trata de aditivos nesses contratos.