O crescimento da produção industrial no ano deve ser em torno de 4,68%, e não
mais de 4,79%, como estimaram consultores financeiros e analistas de mercado
ouvidos pelo Banco Central na semana passada.

A redução reflete o
desaquecimento de alguns setores produtivos voltados para o mercado interno,
principalmente. Isso atinge de forma negativa a formação do Produto Interno
Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas geradas no país.

De acordo
com o Boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, a estimativa de 3,69%
para o crescimento do PIB deste ano caiu para 3,67% em uma semana. A expectativa
de crescimento de 3,70% para o PIB do ano que vem sofreu redução para 3,57%,
embora a projeção de aumento da produção industrial em 2006 permaneça nos mesmos
4,50% da pesquisa anterior.

Houve melhora no otimismo dos especialistas
do mercado quanto ao saldo da balança comercial (exportações menos importações).
A previsão anterior, de US$ 29,84 bilhões, subiu agora para US$ 31 bilhões (US$
26,75 bilhões em 2006), o que eleva também a projeção de superávit (saldo
positivo) de todas as transações correntes (pagamentos e recebimentos) com o
exterior para US$ 5,02 bilhões, ante perspectiva de US$ 4,70 bilhões na semana
passada.

Não houve alteração da estimativa do comportamento da taxa
básica de juros (Selic), que os especialistas consultados acreditam que deve
permanecer nos 19,25% atuais, na reunião deste mês do Comitê de Política
Monetária (Copom). Os analistas mantêm a expectativa de que a Selic perca
terreno ao longo do segundo semestre, de modo a encerrar 2005 em 17,5% ao ano,
caindo um pouco mais, até 15%, no fechamento de 2006.

As estimativas
continuam iguais para a taxa de câmbio, que deve terminar o ano com o dólar
norte-americano cotado a R$ 2,80 (R$ 2,95 em 2006); a relação entre dívida
líquida do setor público e PIB manteve os 51,40% (50% em 2006); e a expectativa
de entrada de investimentos estrangeiros nos setores produtivos permanece em US$
14 bilhões (US$ 15 bilhões no ano que vem).