Pacientes de todo Brasil que receberam transplante de medula óssea no Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, participaram ontem, no Círculo Militar, de uma festa de confraternização. O evento reuniu cerca de quinhentas pessoas, entre pacientes, membros da família e integrantes da equipe médica do serviço de transplantes de medula do hospital.

O encontro foi repleto de emoções. Para muitos pacientes a festa de confraternização, já tradicional no HC, representava a celebração de uma nova vida. “Meu filho fez o transplante há cinco meses”, contou a dona-de-casa Juvenilda Rodrigues dos Santos, mãe do transplantado Robson Fernandes dos Santos, de 10 anos. “Quando descobri que ele estava com leucemia, há cerca de dois anos, chorei muito e fiquei bastante preocupada. Vim à festa para mostrar que ele está se recuperando e para obter novas forças através das pessoas que também passaram pelo mesmo problema.”

O garoto e a mãe moram em Belo Horizonte (MG) e, apesar de o transplante de medula ter sido recente, fizeram questão de comparecer à festa do HC. Robson recebeu a medula de uma irmã, tida como 100% compatível. Em função do procedimento médico, ele ainda não voltou à escola, mas já brinca normalmente, está animado e sua recuperação traz muitas esperanças à mãe e aos demais parentes.

O médico Eduardo Hayashi, 49, também foi vítima de leucemia e passou pelo transplante há três anos. Ele recebeu a medula do único irmão, leva uma vida normal e é considerado um exemplo aos outros paciente. “A confraternização permite uma troca de experiências entre os pacientes: podemos obter conhecimentos com pessoas que passaram pelo transplante antes de nós e, ao mesmo tempo, dar apoio aos recém-transplantados”, declarou.

Serviço

Para muitos pacientes de leucemia, o transplante de medula óssea pode ser a única alternativa de cura. Em abril do próximo ano, o Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC deve completar 25 anos de atividade, sendo responsável por 40% dos transplantes realizados no País. Ao todo, já realizou cerca de 1450 transplante, sendo pioneiro na América Latina e um dos dezesseis maiores do mundo em número de transplantes realizados.

O Serviço conta com uma equipe multidisciplinar de cerca de 140 profissionais, entre médicos, enfermeiros, assistentes sociais, odontólogos, terapeutas ocupacionais e nutricionistas. A coordenação é do oncologista Ricardo Pasquini. “Cerca de 50% das pessoas que precisam de transplante de medula são muito jovens, tendo menos de 19 anos”, contou o médico. “As doenças que levam ao transplante causam muito sofrimento e são potencialmente fatais, por isso é muito bom assistir à recuperação dos transplantados e gratificante saber que eles estão reconstruindo suas vidas, tendo filhos e completando cursos superiores.”